A capacidade do Brasil de comprovar a origem do ouro exportado voltou a ser questionada após uma investigação apontar que permissões minerárias sem atividade real sustentaram a venda de 26,8 toneladas de metal avaliadas em US$ 3,88 bilhões. O caso aumenta a pressão sobre a cadeia do ouro ilegal na Amazônia em um momento de maior exigência internacional por rastreabilidade.
O levantamento do Greenpeace identificou dezenas de áreas autorizadas para mineração sem sinais de exploração, mas que serviram para justificar operações comerciais ao longo dos últimos anos. A suspeita é que documentação regular tenha sido usada para ocultar a origem de parte da produção..
O caso amplia a atenção sobre o ouro ilegal na Amazônia justamente em um momento em que compradores globais aumentam exigências relacionadas à rastreabilidade e à origem de commodities.
Como o de extração ilegal de ouro na Amazônia esquema funcionava
O Greenpeace analisou 187 áreas com permissões de mineração emitidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) próximas de terras indígenas e unidades de conservação da Amazônia.
Segundo a organização:
- 98 áreas não apresentavam sinais de atividade minerária;
- Essas permissões respaldaram vendas de 26,8 toneladas de ouro;
- O valor estimado das negociações chegou a US$ 3,88 bilhões;
- Parte do metal pode ter sido extraída de áreas ecologicamente protegidas.
A suspeita dos pesquisadores é que permissões associadas a áreas sem exploração real tenham sido utilizadas para fornecer documentação a ouro extraído em locais diferentes dos registrados oficialmente.
Segundo o portal de notícias Reuters, a equipe sobrevoou duas áreas incluídas no levantamento e não encontrou atividade compatível com os volumes declarados. Em uma região protegida próxima , porém, identificou uma operação de extração de ouro ilegal da Amazônia em funcionamento.
O resultado reforça preocupações sobre os mecanismos usados para inserir produção irregular na cadeia formal de comercialização.
Compradores internacionais podem aumentar exigências
As suspeitas envolvendo o ouro ilegal na Amazônia chegam em um momento de maior pressão internacional por transparência nas cadeias produtivas.
Investidores, refinadoras e compradores de metais preciosos passaram a exigir controles mais rigorosos para reduzir riscos ligados a desmatamento, crimes ambientais e violações de direitos indígenas.
Entre os mecanismos mais utilizados estão:
- Auditorias independentes;
- Rastreamento da origem do metal;
- Verificação de fornecedores;
- Monitoramento de áreas de produção.
Quando surgem dúvidas sobre a procedência da matéria-prima, a pressão não recai apenas sobre operadores ilegais.
Exportadores e empresas que atuam regularmente também podem enfrentar custos maiores de conformidade e necessidade de ampliar processos de verificação.
Por isso, a discussão sobre ouro ilegal na Amazônia deixou de ser apenas um tema ambiental e passou a envolver reputação comercial e acesso a mercados.
Preço recorde do ouro aumenta o incentivo econômico
A valorização do ouro ajuda a explicar por que a extração ilegal continua encontrando espaço mesmo diante do aumento das operações de fiscalização na Amazônia e outras regiões.
Em meio às incertezas geopolíticas globais, investidores ampliaram a procura pelo metal, considerado um ativo de proteção em períodos de turbulência econômica. O movimento, portanto, elevou a rentabilidade potencial do garimpo ilegal.
Quanto maior o preço internacional do ouro, maior tende a ser o retorno financeiro para operações clandestinas instaladas em regiões de difícil acesso e fiscalização.
Esse cenário mantém elevada a pressão sobre áreas sensíveis da Amazônia e dificulta os esforços de combate à atividade ilegal.
Fiscalização sobre ouro ilegal na Amazônia avança, mas origem do metal continua sendo desafio
O governo federal intensificou ações contra o garimpo ilegal desde 2023.
No ano passado, a Polícia Federal apreendeu 447 quilos de ouro ilegal, o maior volume já registrado pela corporação.
Apesar dos resultados, o estudo sugere que a repressão ao garimpo não elimina automaticamente os mecanismos usados para dar aparência legal ao metal extraído irregularmente.
A ANM informou que acompanha as permissões apontadas pelo Greenpeace. Além disso, destacou os desafios de fiscalização em uma região marcada por grandes distâncias e milhares de autorizações minerárias.
A investigação indica que o principal desafio está menos na identificação de áreas de extração e mais na capacidade de impedir que ouro de origem suspeita circule com documentação aparentemente regular.
As denúncias envolvendo ouro ilegal na Amazônia ampliam a pressão para que o Brasil fortaleça seus mecanismos de rastreabilidade. Em um mercado cada vez mais atento à origem das commodities, a credibilidade da cadeia produtiva tornou-se um ativo tão importante quanto o próprio metal exportado.





