Os produtores de biocombustíveis estão apreensivos com o aumento da perda de competitividade devido à nova estratégia comercial adotada pela Petrobras, que abandonou o preço de paridade de importação (PPI) e passou a precificar os combustíveis com foco no mercado interno.
Os biocombustíveis já vinham enfrentando dificuldades e perdendo espaço para os derivados de petróleo devido a medidas adotadas para controlar os preços dos combustíveis desde o governo de Jair Bolsonaro. Agora, a preocupação é que essa tendência se intensifique com a gasolina e o diesel muito mais baratos do que no mercado internacional.
Ao anunciar a nova política comercial, a Petrobras reduziu os preços da gasolina e do diesel em R$ 0,40 e R$ 0,44 por litro em suas refinarias, respectivamente, ampliando a vantagem desses dois combustíveis em relação aos seus concorrentes renováveis, como o etanol e o biodiesel.
Antes mesmo dos cortes nas refinarias, que entraram em vigor na quarta-feira (17), o etanol hidratado já estava perdendo para a gasolina em quase todos os estados brasileiros, considerando seu menor rendimento nos motores.
De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), na semana passada, o etanol era mais vantajoso em apenas dois estados: Mato Grosso e Amazonas. Nessas regiões, o litro do biocombustível representava menos de 70% do preço da gasolina.
A Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica) considera que, quando o etanol chega a 75% do preço da gasolina, a escolha entre os dois combustíveis se torna indiferente. Nesse caso, encontram-se o Distrito Federal, São Paulo e Goiás. Em todo o restante do país, o consumidor acaba perdendo dinheiro ao optar pelo biocombustível.
Esse cenário tem levado a uma queda na participação do etanol na matriz de combustíveis para veículos leves no país. As vendas de etanol hidratado têm caído pelo quarto ano consecutivo: no primeiro trimestre deste ano, foram registrados 3,4 bilhões de litros, uma redução de 7,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, sendo o pior desempenho desde 2017.
Mesmo considerando o aumento das vendas de gasolina, que inclui 27% de etanol anidro em sua composição, o derivado da cana-de-açúcar apresenta a menor participação no mercado de combustíveis leves no Brasil desde 2017. No primeiro trimestre, representou apenas 43,8% do total consumido por esse segmento.
A Petrobras espera que o preço médio da gasolina nos postos de combustível caia dos atuais R$ 5,49 para R$ 5,20 por litro após a repassagem integral do corte nas refinarias, o que deve reduzir ainda mais a competitividade dos biocombustíveis.











