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Gastos de brasileiros no exterior chegam ao maior nível em mais de uma década

Os gastos de brasileiros no exterior alcançaram US$ 21,7 bilhões em 2025, maior nível desde 2014. Dólar mais baixo sustentou viagens internacionais mesmo com IOF mais elevado. Continue lendo e saiba mais.
Gastos de brasileiros no exterior no maior nível desde 2014, segundo dados do Banco Central
Gastos de brasileiros no exterior em 2025 somaram US$ 21,7 bilhões, de acordo com o Banco Central. (Foto: reprodução)

Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 21,7 bilhões em 2025, alcançando o maior nível desde 2014, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (26/01). O resultado consolida a recomposição do consumo internacional após a retração observada durante a pandemia.

A leitura do indicador está associada a um ambiente econômico mais aquecido, com melhora da renda e queda expressiva do dólar frente ao real ao longo do ano passado. Mesmo com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de câmbio, as despesas de brasileiros fora do país mantiveram trajetória de alta.

Gastos de brasileiros no exterior e a trajetória da última década

A série histórica dos gastos de brasileiros no exterior revela um ciclo claro de expansão, retração e retomada. Após atingir US$ 25,6 bilhões em 2014, as despesas perderam fôlego nos anos seguintes e recuaram de forma acentuada entre 2020 e 2021, período marcado por restrições às viagens internacionais.

A recomposição ocorreu de forma progressiva a partir de 2022, com a flexibilização no pós-pandemia, como mostram os dados mais recentes:

  • 2022: US$ 13,4 bilhões, com reabertura gradual das fronteiras
  • 2023: US$ 17,9 bilhões, já acima do padrão pré-pandemia
  • 2024: US$ 19,7 bilhões, consolidando a retomada
  • 2025: US$ 21,7 bilhões, maior valor desde 2014

Esse patamar recoloca o Brasil próximo dos níveis históricos de saída de recursos pela conta de viagens, reforçando o peso desse item nas transações correntes.

Dólar em queda e IOF mais alto no custo das viagens

Além disso, o avanço dos gastos de brasileiros no exterior ocorreu em um contexto de forte recuo do dólar. Em 2025, a moeda norte-americana caiu 11,18% frente ao real. Trata-se, portanto, do maior recuo anual desde 2016, quando a desvalorização foi de 17,8%. Como passagens aéreas, hospedagem e diversos serviços são cotados em moeda estrangeira, o câmbio mais favorável reduziu o custo efetivo das viagens.

No campo tributário, o governo elevou o IOF em maio, ampliando o custo das operações de câmbio:

  • Compra de moeda em espécie: 1,1% para 3,5%
  • Remessas para contas no exterior: 1,1% para 3,5%
  • Cartão de crédito internacional: 3,38% para 3,5%

Ainda assim, o comportamento do consumidor indica que o efeito do câmbio foi suficiente para sustentar a demanda por viagens internacionais.

Gastos de brasileiros no exterior e o contraste com o turismo receptivo

O crescimento dos gastos de brasileiros no exterior amplia a pressão sobre a conta de serviços, que registrou déficit de US$ 52,9 bilhões em 2025, embora inferior ao observado no ano anterior. A balança comercial, por sua vez, apresentou superávit de US$ 59,9 bilhões, abaixo do resultado de 2024. E o déficit nas contas externas do Brasil chegou ao maior nível desde 2014, com US$ 68,8 bilhões.

Em sentido oposto, o turismo receptivo registrou desempenho histórico. Os gastos de estrangeiros no Brasil atingiram US$ 7,8 bilhões em 2025, recorde da série iniciada em 1995. Segundo o Ministério do Turismo, o país recebeu 9,29 milhões de visitantes internacionais no período.

Além disso, de acordo com o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o resultado reflete a atuação conjunta do governo com o trade turístico. Ainda assim, a diferença entre a saída e a entrada de dólares via viagens segue relevante, mantendo esse fluxo como ponto de atenção no cenário econômico.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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