Pesquisar
Close this search box.
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Projeto pioneiro de agricultura familiar impulsiona comunidades do Vale do Jequitinhonha – Por Eudes Xavier

Artigo Por Eudes Xavier, ex-deputado federal e atual assessor de articulação do SESC-CE.

Nos últimos seis meses, um projeto piloto inovador de agricultura familiar, desenvolvido pela Aperam BioEnergia, tem trazido resultados promissores para duas comunidades localizadas no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Por meio dessa iniciativa, duas associações comunitárias foram convidadas a cultivar nas terras da empresa, e, recentemente, 31 famílias concluíram a primeira colheita de feijão, cultura selecionada para a fase inicial dessa parceria.

A bioenergia, que consiste na geração de energia a partir da biomassa, desempenha um papel fundamental nesse projeto. Ela pode ser utilizada para gerar calor, eletricidade ou combustível para motores de combustão. Os principais materiais utilizados na produção de bioenergia são provenientes de matérias-primas renováveis, como madeira, produtos agrícolas (como colza, milho e cereais) e resíduos orgânicos (estrume, serragem, lixo orgânico e resíduos urbanos).

Embora a bioenergia como fonte alternativa de combustível ainda não esteja amplamente difundida e represente apenas uma pequena parcela do consumo global de energia, há projeções otimistas que indicam seu potencial para suprir a demanda mundial de energia até 2050.

Publicidade

A Aperam BioEnergia, conhecida como a maior produtora de carvão vegetal do mundo, é a unidade da Aperam South America dedicada à produção de energia renovável. Essa energia abastece a usina siderúrgica de Timóteo, em Minas Gerais, onde é fabricado o Aço Verde Aperam.

“Estamos entusiasmados com o sucesso dessa experiência, pois ela demonstrou que o projeto é viável”, comemora Edimar de Melo Cardoso, diretor de Operações da BioEnergia. Segundo ele, o primeiro plantio serviu como referência para o programa permanente de agricultura familiar que a empresa pretende estabelecer. “Nosso objetivo é alcançar as 30 comunidades situadas nas áreas de influência da empresa, proporcionando oportunidades de geração de renda e melhor qualidade de vida para as famílias da região”. As associações que participaram do projeto piloto estão localizadas nos distritos de Ribeirão dos Santos Acima, no município de Minas Novas, e Vendinhas, no município de Veredinha. Cada associação recebeu, por meio de comodato, uma área de cinco hectares dentro das plantações de eucalipto da Aperam BioEnergia, onde foi realizado o plantio de feijão em consórcio com o eucalipto.

O preparo da terra, o suporte para a obtenção de licenciamento e a assistência técnica para o plantio foram fornecidos pela Aperam e pela Emater, que também forneceu as sementes. Os produtores contribuíram com a mão de obra necessária para o plantio, manejo e colheita.

“Muito nos alegra o resultado dessa primeira plantação, que ocorreu em um período atípico com pouca chuva. Mesmo assim, conseguimos colher uma quantidade considerável de feijão, preenchendo três caminhões com a produção. Ainda não temos o peso exato, mas acreditamos que seja maior do que o esperado”, relata Maurílio Alves da Silva, morador da comunidade e presidente da Associação Produza, que conta com 20 famílias associadas.

Um dos destaques dessa primeira etapa do projeto foi a utilização do Biochar, produto certificado da Aperam BioEnergia, que resultou em um aumento visível na produção nas áreas em que foi aplicado. O Biochar é obtido por meio da carbonização de qualquer biomassa e, quando aplicado ao solo, auxilia na retenção de água e na melhoria das condições do solo, promovendo a disponibilidade de nutrientes e retendo carbono por centenas de anos, impedindo sua liberação na atmosfera. Benone Magalhães Braga, Gerente Executivo de Técnica Florestal e Carbonização, explicou os benefícios dessa técnica.

Com base nas lições aprendidas nessa primeira etapa, está sendo preparada a consolidação do programa a longo prazo, com a expansão das áreas de comodato destinadas à agricultura familiar para todas as comunidades próximas às áreas da Aperam BioEnergia. Dessa forma, diversas culturas poderão ser cultivadas em consórcio com os eucaliptos, contando com o apoio técnico da Emater.

Daniel Alexander Fernandes Coelho, especialista técnico da Aperam BioEnergia e membro do grupo gestor desse projeto, destaca que as associações já estão ansiosas pelo próximo período chuvoso, quando tudo estará pronto para o plantio de mandioca, milho e feijão, que serão as principais culturas dessa parceria e são tradicionais na região do Vale do Jequitinhonha. Além disso, outras culturas poderão ser introduzidas com o apoio técnico da Emater.

Trabalho em equipe

Augusta Souza, uma produtora rural experiente, já cultivou mandioca, capim, cana, produziu rapadura e até mesmo um pouco de leite. Assim, conseguiu criar seus seis filhos, que hoje estão empregados na cidade. Tia Augusta, como é carinhosamente chamada, não imaginava que, aos 67 anos, voltaria a se animar ao plantar junto com a comunidade em Ribeirão dos Santos Acima.

Ela e seu marido fazem parte da associação liderada por Maurílio e um grupo de 14 famílias que acabaram de colher feijão. “Estou muito animada, foi muito gratificante plantar junto com a comunidade. Queremos fazer isso mais vezes para garantir uma renda melhor no futuro. Agora, gostaríamos de poder plantar mandioca, que está fazendo muita falta aqui”, compartilha ela.

O projeto piloto de agricultura familiar está impulsionando não apenas a produção agrícola nessas comunidades, mas também renovando o espírito de cooperação e esperança entre os membros, que agora vislumbram um futuro promissor com melhores oportunidades de renda e qualidade de vida.

A experiência vivenciada nesse projeto piloto de agricultura familiar demonstra claramente a importância do apoio à inovação nesse setor. Iniciativas como essa têm o potencial de impulsionar o desenvolvimento das comunidades rurais, promover a segurança alimentar e gerar novas oportunidades econômicas. Ao relatar esse caso de sucesso, meu objetivo é inspirar e motivar outros lugares do Brasil a adotarem práticas semelhantes, incentivando a agricultura familiar e promovendo o crescimento sustentável em todo o país. Com investimentos e apoio adequados, é possível transformar a realidade das comunidades rurais, fortalecendo a economia local e criando um futuro mais próspero para todos.

*OpiniãoArtigo Por Eudes Xavier, ex-deputado federal e assessor de articulação do SESC-CE.

*O texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.

conteúdo patrocinado

MAIS LIDAS

conteúdo patrocinado
conteúdo patrocinado