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Inteligência artificial na mineração leva Vale a produzir 25% mais sem ampliar a usina

A Vale transformou sua usina de Itabira em um laboratório da mineração digital. Entenda como a inteligência artificial passou a tomar decisões em tempo real e elevou a produtividade da operação em 25%.
Logotipo da Vale em placa institucional; imagem ilustrativa sobre inteligência artificial na mineração.
Vale inaugurou em Itabira sua primeira usina com inteligência artificial aplicada à operação, elevando a produtividade em 25%. (Foto: Rfeprodução)

A inteligência artificial na mineração deixou de ser uma promessa de inovação para se tornar parte da operação diária da Vale. Em Itabira (MG), a mineradora inaugurou sua primeira usina-modelo baseada em IA após modernizar a planta Conceição 2 e registrar aumento de 25% na produtividade em menos de dois anos.

O avanço permitiu ampliar a capacidade anual da unidade de 9 milhões para 11,2 milhões de toneladas de minério de ferro, sem a necessidade de construir uma nova usina. A mudança ocorreu por meio da integração de automação, sensores, câmeras e inteligência de dados capazes de otimizar centenas de variáveis simultaneamente.

O resultado mostra que o principal ganho veio da forma como a operação passou a utilizar dados em tempo real para reduzir desperdícios e antecipar problemas, e não apenas da instalação de novos equipamentos.

Inteligência artificial na mineração mudou a forma de operar da Vale

A principal transformação ocorreu no centro de controle da usina. Em vez de depender exclusivamente de decisões tomadas em campo, a operação passou a ser monitorada continuamente por sistemas capazes de analisar mais de 400 variáveis do processo de beneficiamento do minério.

Segundo a Vale, a camada de inteligência artificial supervisiona o comportamento da planta e realiza ajustes em tempo real conforme as características do minério processado. Isso permite corrigir desvios antes que eles afetem a produção.

A modernização incluiu:

  • mais de 100 câmeras de monitoramento;
  • cerca de 7.300 instrumentos automatizados;
  • sensores para análise contínua do minério;
  • 51 soluções voltadas à eliminação de gargalos operacionais.

Como a tecnologia aumentou a produção sem construir uma nova planta

O ganho de produtividade chama atenção porque ocorreu dentro de uma estrutura já existente. Em vez de ampliar a área industrial, a companhia concentrou esforços em elevar o aproveitamento da capacidade instalada.

A estratégia permitiu que a unidade atingisse sua capacidade planejada de 11,2 milhões de toneladas anuais. Em 2024, a mesma usina produziu cerca de 9 milhões de toneladas.

Na prática, a inteligência artificial passou a atuar como uma camada adicional de gestão operacional da mineração. O sistema identifica padrões, detecta riscos de falhas e sugere ajustes capazes de manter a planta próxima do desempenho ideal durante mais tempo.

Esse modelo reduz períodos de instabilidade, diminui paradas não programadas e aumenta a previsibilidade da produção, fatores que costumam ter impacto direto sobre custos e eficiência industrial.

Mineração digital também reduziu perdas de minério

Além do aumento da produção na mineração, a utilização de inteligência artificial na operação trouxe ganhos ligados ao lucro no primeiro trimestre e ao aproveitamento dos recursos minerais.

A Vale informou que o teor de ferro presente nos rejeitos caiu 26% após a implantação do projeto. Isso significa que uma parcela maior do minério passou a ser recuperada durante o processamento.

O sistema utiliza análises online da qualidade do minério ao longo da operação. Com isso, ajustes podem ser feitos imediatamente quando ocorre alguma alteração relevante no material processado.

Outro resultado foi o aumento de 40% na participação do pellet feed de redução direta, produto considerado estratégico para siderúrgicas que buscam reduzir emissões de carbono durante a fabricação do aço.

Segurança e sustentabilidade passaram a fazer parte da mesma estratégia

A digitalização da planta também alterou a rotina operacional dos trabalhadores.

Com monitoramento remoto e automação de equipamentos, a necessidade de intervenções presenciais em áreas industriais diminuiu. Além disso, os operadores passaram a acompanhar parte das atividades diretamente das salas de controle.

A empresa treinou mais de uma centena de operadores para atuar no novo ambiente tecnológico, reforçando a mudança do perfil das atividades dentro da usina.

No campo ambiental, a operação alcançou recirculação de aproximadamente 92% da água utilizada no processo produtivo. O índice reduz a necessidade de captação adicional e melhora o aproveitamento dos recursos hídricos da unidade.

Vale usa inteligência artificial em Itabira como laboratório da mineração do futuro

A usina de Conceição 2 foi concebida como projeto-piloto para expansão da tecnologia a outras operações da companhia. A experiência acumulada em Itabira deverá servir de referência para futuras implantações em unidades como Brucutu e Vargem Grande.

Mais do que automatizar processos, a iniciativa mostra uma mudança de lógica dentro do setor mineral. A competitividade passa a depender cada vez mais da capacidade de transformar dados em decisões operacionais rápidas e precisas.

Nesse cenário, a inteligência artificial na mineração deixa de ser apenas uma ferramenta de inovação e passa a atuar como um dos principais motores de produtividade, eficiência e aproveitamento de recursos nas operações da Vale.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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