A inteligência artificial na mineração deixou de ser uma promessa de inovação para se tornar parte da operação diária da Vale. Em Itabira (MG), a mineradora inaugurou sua primeira usina-modelo baseada em IA após modernizar a planta Conceição 2 e registrar aumento de 25% na produtividade em menos de dois anos.
O avanço permitiu ampliar a capacidade anual da unidade de 9 milhões para 11,2 milhões de toneladas de minério de ferro, sem a necessidade de construir uma nova usina. A mudança ocorreu por meio da integração de automação, sensores, câmeras e inteligência de dados capazes de otimizar centenas de variáveis simultaneamente.
O resultado mostra que o principal ganho veio da forma como a operação passou a utilizar dados em tempo real para reduzir desperdícios e antecipar problemas, e não apenas da instalação de novos equipamentos.
Inteligência artificial na mineração mudou a forma de operar da Vale
A principal transformação ocorreu no centro de controle da usina. Em vez de depender exclusivamente de decisões tomadas em campo, a operação passou a ser monitorada continuamente por sistemas capazes de analisar mais de 400 variáveis do processo de beneficiamento do minério.
Segundo a Vale, a camada de inteligência artificial supervisiona o comportamento da planta e realiza ajustes em tempo real conforme as características do minério processado. Isso permite corrigir desvios antes que eles afetem a produção.
A modernização incluiu:
- mais de 100 câmeras de monitoramento;
- cerca de 7.300 instrumentos automatizados;
- sensores para análise contínua do minério;
- 51 soluções voltadas à eliminação de gargalos operacionais.
Como a tecnologia aumentou a produção sem construir uma nova planta
O ganho de produtividade chama atenção porque ocorreu dentro de uma estrutura já existente. Em vez de ampliar a área industrial, a companhia concentrou esforços em elevar o aproveitamento da capacidade instalada.
A estratégia permitiu que a unidade atingisse sua capacidade planejada de 11,2 milhões de toneladas anuais. Em 2024, a mesma usina produziu cerca de 9 milhões de toneladas.
Na prática, a inteligência artificial passou a atuar como uma camada adicional de gestão operacional da mineração. O sistema identifica padrões, detecta riscos de falhas e sugere ajustes capazes de manter a planta próxima do desempenho ideal durante mais tempo.
Esse modelo reduz períodos de instabilidade, diminui paradas não programadas e aumenta a previsibilidade da produção, fatores que costumam ter impacto direto sobre custos e eficiência industrial.
Mineração digital também reduziu perdas de minério
Além do aumento da produção na mineração, a utilização de inteligência artificial na operação trouxe ganhos ligados ao lucro no primeiro trimestre e ao aproveitamento dos recursos minerais.
A Vale informou que o teor de ferro presente nos rejeitos caiu 26% após a implantação do projeto. Isso significa que uma parcela maior do minério passou a ser recuperada durante o processamento.
O sistema utiliza análises online da qualidade do minério ao longo da operação. Com isso, ajustes podem ser feitos imediatamente quando ocorre alguma alteração relevante no material processado.
Outro resultado foi o aumento de 40% na participação do pellet feed de redução direta, produto considerado estratégico para siderúrgicas que buscam reduzir emissões de carbono durante a fabricação do aço.
Segurança e sustentabilidade passaram a fazer parte da mesma estratégia
A digitalização da planta também alterou a rotina operacional dos trabalhadores.
Com monitoramento remoto e automação de equipamentos, a necessidade de intervenções presenciais em áreas industriais diminuiu. Além disso, os operadores passaram a acompanhar parte das atividades diretamente das salas de controle.
A empresa treinou mais de uma centena de operadores para atuar no novo ambiente tecnológico, reforçando a mudança do perfil das atividades dentro da usina.
No campo ambiental, a operação alcançou recirculação de aproximadamente 92% da água utilizada no processo produtivo. O índice reduz a necessidade de captação adicional e melhora o aproveitamento dos recursos hídricos da unidade.
Vale usa inteligência artificial em Itabira como laboratório da mineração do futuro
A usina de Conceição 2 foi concebida como projeto-piloto para expansão da tecnologia a outras operações da companhia. A experiência acumulada em Itabira deverá servir de referência para futuras implantações em unidades como Brucutu e Vargem Grande.
Mais do que automatizar processos, a iniciativa mostra uma mudança de lógica dentro do setor mineral. A competitividade passa a depender cada vez mais da capacidade de transformar dados em decisões operacionais rápidas e precisas.
Nesse cenário, a inteligência artificial na mineração deixa de ser apenas uma ferramenta de inovação e passa a atuar como um dos principais motores de produtividade, eficiência e aproveitamento de recursos nas operações da Vale.





