O setor turístico do Brasil demonstra uma recuperação impressionante desde a crise sanitária global de 2020. Até setembro de 2023, o setor registrou um avanço significativo de 7,9%, marcando uma tendência de crescimento contínuo, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).
Como já registrado no Economic News Brasil, a CNC projeta um faturamento histórico para o setor turístico brasileiro na alta temporada de 2023-2024. Espera-se que o setor alcance R$ 155,87 bilhões, representando um aumento real de 5,6% em comparação com a temporada anterior. Este valor é o mais alto registrado desde o início das análises em 2012.
Com a chegada da alta temporada, o setor turístico está preparado para criar 85.795 novos empregos, segundo estimativas da CNC. Esse número é o maior desde 2014. Os setores de alimentação, transporte e hospedagem lideram as contratações, com expectativa de salários médios de admissão em torno de R$ 1.930, indicando um aumento real de 1,8% em relação ao ano anterior.
Gastos Turísticos
Durante a alta temporada, os gastos dos turistas se concentrarão principalmente em bares, restaurantes e transporte rodoviário, com previsões de gastos em bilhões de reais. Esses setores estão se preparando para atender à demanda crescente e aproveitar as oportunidades econômicas.
Taiene Righetto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), ressalta o crescimento significativo do setor, apesar de enfrentar desafios, como a escassez de mão de obra qualificada. “No geral, o setor de bares e restaurantes tem crescido, evoluído em relação à pandemia, embora com vários obstáculos e dificuldades. Esse crescimento não tem acompanhado a evolução da mão de obra. A gente tem tido uma restrição muito grande de mão de obra. Tenho percebido isso em vários setores, mas, em relação ao de bares e restaurantes, tem sido muito forte. Temos mais de 5 mil vagas em aberto e todo o Estado não consegue preencher de forma alguma. Isso deve realmente nos inviabilizar um crescimento ainda maior”, detalha.
Com mais de 5 mil vagas não preenchidas em todo o estado, Righetto destaca a importância deste verão para o setor, que ainda lida com altas dívidas e uma carga tributária pesada. “Este período é a esperança também dos bares e restaurantes de fazer um pouco de caixa para os impostos diversos, conhecidos de final de ano e de começo de ano, 13º salário e outros, o que é bastante pesado para esse setor. Mais de 60% dos associados têm dívidas pesadas em impostos e a gente tem percebido uma sinalização muito grande do Governo Federal de aumento de impostos, de novos impostos, o que nos deixa pessimistas“, realça.
Visão Hoteleira
Por outro lado, Régis Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Ceará (Abih-CE), expressa otimismo, apontando que Fortaleza está se destacando como um dos principais destinos turísticos. “A nossa expectativa para o Réveillon, que é entre o dia 29 até o dia 1º do mês de janeiro, é que a gente alcance a ocupação de 96%, o que é um número muito positivo para esse período. No Réveillon de 2022 para 2023, nós tivemos 94%”, explica.
O objetivo, segundo Medeiros, é de retornar a média de 80% de ocupação em janeiro, o que não acontece desde o fim da pandemia. Porém, ele cita alguns impeditivos. “A única interrogação que sempre nos preocupa, não somente a nós ao Ceará, mas a todo o turismo do Brasil, é a questão do transporte aéreo. Precisamos ter mais assentos e ter tarifas mais competitivas, e, quem sabe, mais empresas oferecendo esse serviço no nosso país“, orienta.











