Juros do crédito imobiliário permanecem estáveis

Habitacional - Financiamento habitacional
(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Os juros do crédito imobiliário, que se mantêm em dois dígitos, não deverão registrar queda em breve, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). A redução da taxa Selic, embora abra espaço, não garantirá taxas mais baixas, pois isso dependerá do comportamento da poupança, que enfrentou saques de mais de R$ 150 bilhões nos últimos dois anos.

“Não identificamos uma redução de taxa do crédito imobiliário no curto prazo”, declarou Sandro Gamba, presidente da Abecip, durante coletiva de imprensa que abordou os resultados do setor no ano passado e as perspectivas para este ano.

Crescimento habitacional 

A Abecip projeta um recorde para o crédito habitacional em 2024. O impulsionamento deves ser pelas linhas que utilizam recursos do FGTS e oferecem taxas mais baixas. Além disso, nos empréstimos que utilizam dinheiro da poupança, os bancos elevaram as taxas para a faixa dos dois dígitos no ano passado.

Segundo o Banco Central, em novembro de 2023, a taxa média praticada pelo mercado estava em 10,8% ao ano, 0,4 ponto percentual a mais em relação ao ano anterior, atingindo seu pico em julho, com 11,9%.

No entanto, entre os cinco principais agentes de financiamento imobiliário no Brasil, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil mantêm juros de um dígito anual nas linhas de crédito. Elas usam recursos da poupança, apesar do aumento das taxas. Os bancos têm mantido as taxas desde o primeiro semestre de 2023.

Além da Selic em dois dígitos, a redução da poupança impactou os custos dos bancos. No final de 2023, o saldo das cadernetas destinado ao crédito imobiliário foi de R$ 747 bilhões. É 2,2% menor que em 2022, com saques líquidos de R$ 72 bilhões, o segundo pior resultado em uma década, perdendo apenas para os saques de 2022, que atingiram R$ 81 bilhões.

Diversificação

A diversificação é uma demanda do mercado imobiliário, mas as fontes alternativas de financiamento são mais caras para os bancos. Quando a taxa de juros está acima de 8,5% ao ano, a poupança tem o rendimento “travado”. O rendimento é de  0,5% ao mês mais a taxa referencial, que atualmente se encontra próxima de zero. Por outro lado, LCIs, LIGs e CRIs têm o rendimento atrelado ao CDI.

A Abecip e a Caixa pleiteiam junto ao Banco Central a liberação de parte dos depósitos compulsórios da poupança para destiná-los ao crédito imobiliário. Atualmente, essas contas, que incluem a poupança, obrigam os bancos a manter 21% dos depósitos à vista, visando a segurança do sistema financeiro.

Embora o setor discuta a redução do compulsório, as previsões para este ano não a incluem. Portanto, indicam um crescimento de 3% na concessão de crédito imobiliário, atingindo um recorde de R$ 259 bilhões em liberações.

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