O resultado do Santander no 1º trimestre de 2026 (1T26) trouxe um lucro alto, mas insuficiente para sustentar uma leitura mais positiva do mercado. A combinação de rentabilidade em queda e margem sem avanço mantém dúvidas sobre a capacidade do banco de voltar a crescer.
Foram R$ 3,8 bilhões no trimestre, número que preserva a escala da operação, mas não altera o quadro de fundo. O desempenho ainda carrega sinais de perda de tração, mesmo após o ajuste mais recente no crédito.
Santander mostra lucro alto no resultado do 1T26, mas sem avanço real na rentabilidade
O desempenho do Santander apresentado nessa temporada de resultados mostra um banco que estabilizou o resultado, mas não conseguiu retomar crescimento.
O lucro líquido gerencial caiu 1,9% na comparação anual e recuou com mais força frente ao trimestre anterior. O dado mais sensível, porém, está na rentabilidade: o ROAE ficou em 16%, abaixo dos níveis históricos da instituição.
Outros pontos apresentados pelo Santander reforçam essa leitura nos resultados do 1T26:
- Margem financeira próxima de R$ 15,8 bilhões, sem avanço relevante
- Receitas com serviços crescendo no ano, mas perdendo ritmo no trimestre
- Eficiência praticamente estável, sem ganho estrutural
O conjunto indica que o banco parou de piorar, mas ainda não voltou a melhorar.
Por que o mercado reagiu com frustração
A decepção com o resultado do Santander no 1T26 não vem de um evento isolado, mas da ausência de evolução clara nos principais motores de lucro.
O custo de crédito, por exemplo, ficou em 3,73%, praticamente estável. Isso mostra que o banco conseguiu conter o risco, o que era uma preocupação central nos últimos ciclos.
O problema está em outra camada:
- A margem não acelera;
- O lucro não ganha alavancagem;
- O retorno segue em trajetória de queda.
Sem esses vetores, o resultado perde qualidade, mesmo com números absolutos ainda elevados.
Margem pressionada limita a recuperação do banco
A margem financeira continua sendo o principal pilar do resultado, mas já não oferece o mesmo impulso de antes.
O crescimento praticamente nulo ao longo de um ano revela um ambiente mais difícil para expandir ganhos, mesmo com aumento da base de crédito.
Na prática, o que aparece no resultado do Santander no 1T26:
- Um spread — (diferença entre a taxa de juros que os bancos pagam para captar dinheiro (dos investidores) e a taxa que cobram ao emprestar esse dinheiro (para clientes) — sem avanço consistente;
- Mix de crédito mais conservador;
- Receitas que crescem, mas sem gerar efeito multiplicador no lucro.
Esse cenário reduz a capacidade de o banco acelerar a rentabilidade no curto prazo.
Estratégia mais defensiva reduz risco, mas trava retorno
A carteira de crédito cresceu cerca de 3,4% em 12 meses, um ritmo moderado para um banco do porte do Santander.
A composição desse crescimento ajuda a explicar o comportamento do resultado:
- Crédito imobiliário avançando acima da média;
- Financiamento ao consumo com expansão relevante;
- Carteira de pessoa física recuando no trimestre.
O banco prioriza qualidade e previsibilidade. Essa escolha melhora o controle de risco, mas limita o potencial de ganho mais rápido.
O que o resultado do Santander no 1T26 sinaliza daqui para frente
O resultado do Santander no 1T26 reforça uma mudança importante na leitura sobre o banco. A recuperação não parece mais um movimento rápido, mas um processo gradual.
A combinação de fatores pesa sobre o lucro, sem crescimento relevante, numa rentabilidade em queda e numa margem sem reação clara. Isso, somado a uma reestruturação interna, com a saída do CEO, desloca a expectativa de uma retomada acelerada para um cenário mais dependente de melhora macroeconômica e reativação do crédito.
No fim, o resultado do Santander no 1T26 mostra um banco que já saiu do momento mais crítico, mas ainda distante de um novo ciclo consistente de expansão. E, portanto, é essa ausência de tração que explica a frustração do mercado.



