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Impacto da Selic na indústria revela corte mas mantém custo elevado do crédito

Impacto da Selic na indústria revela que corte recente não altera custo elevado do crédito. Juros reais acima do equilíbrio mantêm capital fora da produção e reforçam dependência de ajuste fiscal.
Impacto da Selic na indústria e custos de produção
Juros elevados mantêm pressão sobre decisões de investimento da indústria brasileira. Imagem: Canva

O impacto da Selic na indústria aparece com clareza após o corte recente. Ainda assim, mesmo com a taxa em 14,75% ao ano, o custo do dinheiro segue elevado. Por isso, limita decisões de investimento produtivo. Além disso, o ajuste de 0,25 ponto não muda o ambiente de crédito caro. Assim, mantém a preferência por aplicações financeiras.

Na prática, o setor industrial vê um descompasso. De um lado, a taxa básica. De outro, o nível necessário para estimular a economia. Nesse sentido, os juros reais, perto de 10,4% ao ano, seguem acima da taxa neutra. Com isso, o capital fica distante da produção. Ao mesmo tempo, permanece concentrado na renda fixa. Como resultado, o apetite por expansão e inovação diminui. Ainda assim, há um detalhe técnico que reforça essa leitura.

Esse desalinhamento fica mais claro na comparação com o nível de equilíbrio. Segundo estimativas, a taxa adequada estaria próxima de 10,1% ao ano. Portanto, a política monetária segue acima do necessário para controlar a inflação. Nesse contexto, a atividade industrial continua pressionada. Principalmente pelo custo de capital elevado. Consequentemente, decisões de longo prazo são afetadas.

Juros mantêm capital fora da produção e ampliam pressão sobre empresas

Além disso, entidades industriais reforçam essa avaliação. Para elas, o patamar atual favorece o mercado financeiro. Ou seja, mantém recursos fora da economia real. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), há uma distorção. Nesse caso, ganhos financeiros superam o retorno produtivo. Como efeito, produtividade, inovação e competitividade perdem espaço.

Ao mesmo tempo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta outro efeito. Segundo a entidade, o nível atual não interrompe a desaceleração. Tampouco reduz o endividamento das empresas. Por outro lado, a inflação sob controle abriria espaço para cortes maiores. Assim, seria possível destravar o crédito. E também ampliar o investimento produtivo. Ainda assim, há um fator fora da política monetária que limita esse avanço.

Pressão fiscal trava espaço para queda mais acelerada dos juros

Nesse cenário, o ambiente fiscal ganha peso. De fato, torna-se variável central. Com a dívida pública próxima de 80% do PIB, o risco aumenta. Por isso, representantes do setor defendem controle de gastos. Dessa forma, seria possível reduzir a percepção de risco. E, consequentemente, permitir juros mais baixos de forma sustentável.

Além disso, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) destaca outro ponto. Mesmo com o início da flexibilização, o cenário segue adverso. Isso porque o setor enfrenta pressões externas. Entre elas, cadeias globais instáveis e custos logísticos elevados. Soma-se a isso a incerteza internacional. Assim, cresce a dependência de uma política econômica coordenada.

Impacto da Selic na indústria revela dependência de ajuste estrutural

Por fim, o impacto da Selic na indústria vai além da decisão recente. Na verdade, expõe uma engrenagem mais ampla. Juros elevados, risco fiscal e custo de capital se conectam. Juntos, formam um ciclo que limita a retomada produtiva. Portanto, sem avanço fiscal consistente, o cenário tende a persistir. Dessa forma, cortes mais profundos seguem restritos. E a indústria continua em posição defensiva, enquanto o capital financeiro mantém vantagem sobre o produtivo.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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