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Consumo de café no Brasil dispara após queda dos preços

O consumo de café no Brasil voltou a crescer após a queda dos preços nos supermercados. A safra recorde prevista para 2026 pode ampliar o alívio ao consumidor e acelerar as vendas.
Imagem de uma xícara de café para ilustrar uma matéria jornalística sobre a alta no consumo do café no Brasil.
Café mais barato faz consumo voltar a crescer no Brasil. (Imagem: Mike Kenneally/Unsplash)

O consumo de café no Brasil voltou a crescer em 2026 após meses de pressão sobre o orçamento das famílias. A desaceleração dos preços nos supermercados começou a reativar as compras de um dos produtos mais afetados pela inflação alimentar no último ano.

Entre janeiro e abril, o consumo subiu 2,44%, alcançando 4,9 milhões de sacas de 60 quilos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). A recuperação ocorre após a forte alta dos preços reduzir as vendas domésticas ao longo de 2025.

O movimento passou a ser acompanhado pelo varejo porque o café funciona como um dos produtos mais sensíveis ao poder de compra. Quando os preços sobem rapidamente, o consumo desacelera quase imediatamente. Com a recente queda no varejo, o comportamento começou a mudar.

Queda do preço do café destravou demanda reprimida

A recuperação ganhou força principalmente em março, quando o consumo avançou 10,25% na comparação anual.

Em abril, o crescimento continuou, com alta de 3,66% frente ao mesmo período do ano passado.

A Abic avalia que o mercado começou 2026 ainda pressionado pelos efeitos da disparada dos preços observada entre o fim de 2024 e o início de 2025. A recuperação do consumo passou a aparecer com mais intensidade a partir de março.

Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o consumo de café havia caído 2,31% na comparação anual, refletindo o impacto direto da inflação sobre o orçamento das famílias.

Com a ampliação da oferta da matéria-prima em 2026, os preços começaram a perder força no varejo.

No café tradicional, a queda chegou a 15,51% em abril frente ao mesmo mês do ano anterior, com o quilo vendido perto de R$ 55,34.

A recuperação também apareceu em segmentos específicos:

  • Cafés especiais: alta de 16,9%
  • Descafeinados: avanço de 21%
  • Café solúvel: crescimento de 0,55%

Safra recorde pode ampliar alívio nos supermercados

A expectativa do setor agora está concentrada na produção brasileira de 2026. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que a safra deverá crescer 18%, alcançando 66,7 milhões de sacas.

Se confirmado, o volume será o maior já registrado na série histórica da Conab, superando em 5,74% a colheita recorde de 2020.

A Abic avalia que a maior produção tende a reduzir a volatilidade do mercado e ampliar o repasse da queda dos preços ao consumidor final ao longo do ano.

A perspectiva de oferta elevada também reduz parte da pressão sobre supermercados, cafeterias e indústrias alimentícias que utilizam café como insumo relevante.

O cenário fortalece ainda a expectativa de desaceleração da inflação dos alimentos no segundo semestre, especialmente em produtos ligados ao consumo cotidiano das famílias.

Consumo de café virou termômetro do custo de vida no Brasil

A retomada do consumo de café no Brasil começou a funcionar como um indicador importante para o varejo alimentar em 2026.

O café possui forte presença no orçamento doméstico e costuma responder rapidamente às oscilações de preço, tornando-se um dos principais termômetros do comportamento das famílias diante do custo de vida.

O avanço recente das vendas sugere que parte dos consumidores voltou às compras após o alívio observado nos supermercados nos últimos meses.

A indústria avalia que a continuidade da recuperação dependerá da confirmação da safra recorde e da manutenção da oferta elevada nos próximos meses.

A combinação entre maior produção, redução dos preços e retomada do consumo coloca o café no centro das discussões sobre inflação alimentar, poder de compra e comportamento do varejo no Brasil em 2026.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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