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Fila do INSS acelera gastos do governo Lula e amplia bloqueio no Orçamento

A redução da fila do INSS acelerou concessões de benefícios, elevou os gastos da Previdência em R$ 11,5 bilhões e ampliou a pressão por novos bloqueios no Orçamento federal.
Fachada do prédio do INSS em Brasília durante revisão das projeções de gastos previdenciários do governo federal.
Redução da fila do INSS acelerou concessões de benefícios e aumentou pressão sobre bloqueios no Orçamento federal. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

A redução da fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começou a produzir um efeito colateral fiscal para o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A aceleração na concessão de benefícios elevou em R$ 11,5 bilhões a projeção de despesas previdenciárias de 2026.

O avanço pressiona o bloqueio de gastos do Orçamento justamente no momento em que o Planalto tenta evitar desgaste político às vésperas da campanha eleitoral. Quanto mais benefícios entram na folha do INSS, menor fica o espaço disponível para investimentos, custeio da máquina pública e emendas parlamentares.

O problema ganhou peso porque a redução da fila virou prioridade política do governo após o recorde de 3,1 milhões de requerimentos em espera transformar o tema em uma das principais armas da oposição contra Lula.

Governo adiou ajuste fiscal enquanto acelerava redução da fila do INSS

A equipe econômica já esperava aumento relevante das despesas previdenciárias desde o início do ano, mas decidiu retardar parte do ajuste fiscal enquanto avaliava o impacto da força-tarefa montada para reduzir a fila do INSS.

Em março, o governo anunciou bloqueio de apenas R$ 1,6 bilhão em verbas de ministérios e investimentos públicos, valor considerado insuficiente pelo mercado financeiro.

Segundo aponta o jornal Folha de S.Paulo, integrantes da área econômica chegaram a discutir um congelamento próximo de R$ 4 bilhões. A decisão, contudo, acabou revertida pela Junta de Execução Orçamentária (JEO), que preferiu aguardar números mais detalhados sobre o avanço das concessões.

A escolha, além disso, permitiu ao governo evitar desgaste político imediato no início do ano eleitoral, mas empurrou a pressão fiscal para os meses seguintes.

Inclusive, foi exposta uma uma contradição delicada dentro da estratégia do Planalto. A redução da fila melhora a resposta política do governo sobre o INSS, mas acelera justamente a despesa obrigatória mais sensível do Orçamento federal.

Concessão de benefícios disparou após ações para reduzir fila do INSS

Segundo documento preliminar relevados, a projeção de gastos com benefícios previdenciários subirá de R$ 1,066 trilhão para R$ 1,077 trilhão.

A revisão foi baseada no comportamento das despesas entre março e abril, período em que as primeiras ações para acelerar análises começaram a surtir efeito.

A folha mensal do INSS avançou rapidamente:

  • fevereiro: R$ 79,9 bilhões;
  • março: R$ 81,8 bilhões;
  • abril: R$ 82,6 bilhões.

O crescimento ganhou relevância porque os reajustes anuais dos benefícios já haviam sido aplicados em janeiro. Isso significa que a alta recente decorre principalmente da entrada de novos segurados no sistema.

No fim de abril, a fila caiu para 2,6 milhões de requerimentos.

O governo passou a tratar o tema como prioridade após Lula identificar desgaste crescente em torno do INSS. Isso porque a fila recorde, que chegou a superar 2,8 milhões de pedidos em espera, contradizia diretamente uma das promessas feitas pelo presidente durante a campanha de 2022.

Internamente, técnicos chegaram a simular cenários com impacto de até R$ 30 bilhões caso a regularização das concessões avançasse de forma mais intensa.

Salário-maternidade amplia pressão sobre gastos da Previdência

Além da redução da fila do INSS, outro fator passou a pressionar as contas previdenciárias: o avanço acelerado das concessões de salário-maternidade após mudanças ligadas a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os técnicos do governo estimam impacto adicional próximo de R$ 5 bilhões neste ano.

Os números mostram forte expansão:

  • janeiro de 2025: 48,9 mil benefícios;
  • dezembro de 2025: 94,7 mil benefícios;
  • crescimento de 93,7%.

Os pedidos também aumentaram:

  • 116 mil requerimentos em janeiro;
  • 161,6 mil em novembro.

O avanço ampliou a pressão sobre uma despesa que já vinha acelerando com a regularização das análises do INSS.

Para evitar um bloqueio imediato mais agressivo, a equipe econômica ampliou o chamado “faseamento” das despesas. O mecanismo segura parte da execução orçamentária enquanto o governo recalcula os impactos fiscais da alta nos benefícios.

No último relatório, essa contenção adicional já se aproximava de R$ 40 bilhões.

Governo chega ao ano eleitoral pressionado entre gasto social e ajuste fiscal

A redução da fila do INSS ajudou o governo Lula a responder politicamente a uma das maiores fragilidades da gestão na área social. O problema é que a aceleração das concessões começou a pressionar diretamente o espaço disponível dentro do arcabouço fiscal.

A equipe econômica adiou parte do ajuste no início do ano para evitar desgaste político maior antes da campanha eleitoral. Agora, com as despesas previdenciárias avançando, o governo terá de ampliar bloqueios no Orçamento justamente quando cresce a pressão por investimentos, liberação de emendas e expansão de gastos sociais.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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