ONU vê economia mundial mais fraca após crise no Oriente Médio

A ONU reduziu a projeção da economia mundial após a crise no Oriente Médio elevar petróleo, inflação e custos de energia no planeta.
Imagem ilustrativa da logo da ONU para ilustrar uma matéria jornalística sobre a economia mundial.
ONU corta projeção da economia global após crise e inflação alta. (Imagem: Miguel Á. Padriñán/Pixabay)

A economia mundial entrou em uma nova fase de pressão justamente quando bancos centrais começavam a enxergar espaço para reduzir juros. A Organização das Nações Unidas (ONU) cortou a previsão de crescimento global para 2026 após a crise no Oriente Médio elevar preços de energia, petróleo e inflação.

A escalada do petróleo reacendeu o risco de juros altos por mais tempo e aumentou a preocupação com combustíveis, energia elétrica, alimentos e custo de vida em diversas economias. O cenário amplia o temor de uma desaceleração mais intensa da atividade global.

A ONU passou a projetar crescimento de 2,5% para o PIB mundial em 2026, abaixo da estimativa anterior e distante do ritmo registrado antes da pandemia. Para 2027, a previsão indica recuperação limitada, com expansão de 2,8%.

Mesmo com investimentos ligados à inteligência artificial e consumo ainda resiliente em algumas regiões, o ambiente econômico ficou mais vulnerável após o choque energético provocado pela guerra no Oriente Médio.

Alta do petróleo e energia mais cara pressionam inflação global

O principal alerta da ONU envolve o impacto da energia sobre inflação, crédito e crescimento econômico. O avanço dos preços elevou receitas do setor energético, mas aumentou custos para empresas, indústrias e famílias.

O novo choque ocorre justamente quando diversos bancos centrais tentavam controlar a inflação sem provocar recessão. Agora, o mercado voltou a discutir juros elevados por mais tempo.

Nas economias desenvolvidas, a inflação projetada para 2026 subiu de 2,6% para 2,9%. Nos países em desenvolvimento, a taxa deve avançar de 4,2% para 5,2%.

Os principais efeitos econômicos incluem:

  • combustíveis mais caros;
  • aumento do custo de transporte;
  • pressão sobre alimentos e energia elétrica;
  • crédito mais caro;
  • redução do consumo;
  • desaceleração de investimentos.

A ONU avalia que a deterioração econômica ganhou força porque inflação e energia voltaram a pressionar a atividade global simultaneamente.

Europa aparece entre as regiões mais vulneráveis da crise

A Europa surge como uma das áreas mais expostas ao novo cenário global devido à dependência de energia importada. O aumento dos custos energéticos pressiona consumidores, empresas e a atividade industrial europeia.

A projeção de crescimento da União Europeia caiu de 1,5% para 1,1%. No Reino Unido, a expectativa recuou de 1,4% para 0,7%.

O cenário elevou preocupações sobre:

  • perda de competitividade industrial;
  • enfraquecimento do consumo;
  • inflação persistente;
  • pressão fiscal;
  • crescimento próximo da estagnação.

A combinação entre atividade fraca e inflação elevada voltou a alimentar o temor de estagflação em partes da Europa, situação marcada por crescimento baixo e custo de vida elevado.

Governos europeus também enfrentam pressão crescente para ampliar gastos públicos e reduzir os efeitos da crise energética sobre famílias e empresas.

Estados Unidos e China resistem melhor ao choque econômico

Enquanto Europa e economias dependentes de energia importada sofrem mais pressão, Estados Unidos e China aparecem relativamente mais preparados para enfrentar a deterioração global.

Os Estados Unidos devem crescer 2,0% em 2026, praticamente estáveis em relação ao ano anterior. Segundo a ONU, a economia americana continua sustentada pela demanda doméstica e pelos investimentos em tecnologia e inteligência artificial.

Na China, a projeção de crescimento caiu de 5,0% para 4,6%, mas o país tende a sofrer impacto menor graças à sua estrutura energética e capacidade de resposta estatal.

Entre os fatores que ajudam a reduzir os impactos chineses estão:

  • diversificação da matriz energética;
  • reservas estratégicas;
  • apoio estatal;
  • política industrial;
  • expansão tecnológica.

A Índia também deve desacelerar, passando de 7,5% para 6,4%, refletindo o ambiente econômico internacional mais pressionado.

A ONU avalia que a economia mundial ainda possui fatores de sustentação importantes, sobretudo tecnologia, mercado de trabalho e consumo. Mesmo assim, o avanço da crise geopolítica recolocou petróleo, inflação e energia no centro das preocupações econômicas mundiais.

O novo cenário da ONU, projeta em que a economia mundial mostra que guerra, petróleo e inflação voltaram a influenciar diretamente juros, consumo, crédito e crescimento econômico no planeta.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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