Governança global da IA expõe racha entre ONU e EUA durante evento global da Índia

A governança global da IA avança com a criação de um painel científico da ONU, enquanto os EUA rejeitam coordenação internacional. Saiba mais.
Governança global da IA debatida em cúpula da ONU
Secretário-geral da ONU António Guterres, defensor de uma governança global sobre IA (Foto: Reprodução)

A governança global da IA ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (20/02), quando a Organização das Nações Unidas (ONU) formalizou a criação de um painel científico para discutir o chamado “controle humano” da inteligência artificial. A iniciativa foi anunciada durante a Cúpula sobre o Impacto da IA, em Nova Déli, e imediatamente recebeu oposição pública dos Estados Unidos.

Segundo a ONU, a Assembleia Geral designou 40 especialistas para compor o Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial. A proposta, portanto, busca estruturar avaliações técnicas e relatórios periódicos, em modelo semelhante ao do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).

Governança global da IA e o modelo científico

Ao defender a governança global da IA, o secretário-geral António Guterres afirmou que “estamos entrando no desconhecido”. Ele argumentou que uma abordagem baseada em ciência pode oferecer parâmetros mais seguros para lidar com riscos tecnológicos, impactos sociais e efeitos sobre o mercado de trabalho.

Guterres também declarou que a governança apoiada em evidências não impede inovação. Pelo contrário, segundo ele, pode tornar o avanço da inteligência artificial generativa mais seguro e amplamente compartilhado. A proposta prevê avaliações técnicas, definição de barreiras baseadas em risco e orientação a políticas públicas.

Regulação internacional da tecnologia divide potências

Michael Kratsios, conselheiro de tecnologia da Casa Branca, apresentou a posição norte-americana. Ele afirmou que o governo dos Estados Unidos rejeita “totalmente” qualquer governança global da IA. Além disso, afirmou que, submeter a tecnologia a burocracias internacionais comprometeria a liberdade de expressão e a inovação digital.

Ainda segundo o representante, a IA tem potencial para gerar “prosperidade sem precedentes” e ampliar o crescimento econômico. Ele criticou o que chamou de ênfase excessiva em temas como clima e equidade, que, na avaliação do governo norte-americano, poderiam justificar centralização regulatória.

Governança global da IA no centro da disputa econômica

O debate ocorre em meio à aceleração dos investimentos no setor. A Índia, anfitriã da cúpula, projeta mais de US$ 200 bilhões em aportes nos próximos dois anos, enquanto empresas de tecnologia anunciam novos projetos de infraestrutura digital e expansão de data centers.

Executivos também pressionam por regras claras. Sam Altman, CEO da OpenAI, afirmou que a democratização da IA é essencial para que a humanidade prospere. Porém, reconheceu a necessidade urgente de algo como uma governança global da IA, além de medidas de segurança.

Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia pode aprofundar desigualdades históricas.

Inteligência artificial nas relações geopolíticas

A governança global da Inteligência Artificial, portanto, consolida-se como mais um eixo da disputa geopolítica contemporânea. Entre soberania digital, competição por investimentos e definição de padrões internacionais, o embate revela que a próxima fronteira econômica será definida tanto por algoritmos quanto por regras globais.

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Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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