O varejo brasileiro começou o ano de 2026 mostrando resistência mesmo em um ambiente de juros elevados, crédito mais caro e inflação ainda pressionando parte do consumo. As vendas cresceram 1,2% no primeiro trimestre na comparação anual, segundo levantamento da Mastercard SpendingPulse.
O resultado reforça uma mudança importante no padrão de consumo das famílias brasileiras. Gastos ligados à alimentação fora de casa, saúde e experiências continuam avançando, enquanto setores dependentes de financiamento ou compras maiores perderam força no início do ano.
A leitura econômica ganhou relevância porque o avanço ocorre justamente quando o Banco Central mantém uma política monetária restritiva para desacelerar atividade e consumo. Mesmo assim, parte do varejo continua aquecida.
O comportamento mostra que o consumo brasileiro ficou mais seletivo em 2026. As famílias passaram a priorizar despesas consideradas imediatas ou essenciais, enquanto adiam compras de maior valor.
Restaurantes lideram crescimento do varejo brasileiro em 2026
O setor de restaurantes apresentou o maior crescimento entre os segmentos avaliados pela Mastercard SpendingPulse, com avanço de 10,1% no primeiro trimestre.
Na sequência aparecem:
- farmácias: +9,6%
- hospedagem: +6,5%
- varejo total: +1,2%
O desempenho mostra que serviços ligados à experiência e conveniência continuam sustentando parte importante do consumo no país. Mesmo com renda pressionada, alimentação fora de casa e viagens seguem com demanda elevada.
O avanço também indica uma transformação relevante no perfil do varejo brasileiro. Em vez de grandes compras parceladas, consumidores passaram a concentrar gastos em serviços de uso imediato.
Os dados reforçam a capacidade de consumo das famílias brasileiras mesmo em um cenário econômico mais difícil.
Juros altos começam a pressionar parte do consumo
Enquanto restaurantes e farmácias aceleraram, alguns segmentos mais dependentes de crédito registraram retração no início do ano.
Os principais recuos foram:
- móveis e decoração: -4,4%
- supermercados: -1,5%
A queda em móveis e decoração expõe um dos efeitos mais diretos dos juros elevados sobre o varejo. Compras maiores e financiadas tendem a desacelerar quando o crédito fica mais caro.
Já o desempenho mais fraco dos supermercados mostra um consumidor mais cauteloso até mesmo nas despesas do dia a dia. O movimento também pode refletir mudanças de hábito, migração para atacarejos e busca por preços menores.
O contraste entre setores em alta e segmentos em queda ajuda a explicar o momento atual da economia brasileira. O consumo não desapareceu, mas ficou mais concentrado em prioridades específicas.
A diferença também sinaliza que o varejo entrou em uma fase mais desigual em 2026, com crescimento distribuído de maneira bastante seletiva entre os segmentos.
Estados e regiões com crescimento regional do varejo
Todas as regiões brasileiras registraram crescimento nas vendas no primeiro trimestre, embora em ritmos diferentes.
O destaque regional ficou com o Centro-Oeste, que avançou 2,5%. Já o Sudeste apresentou desempenho mais moderado, com alta de apenas 0,1%.
Entre os estados, Pernambuco liderou o crescimento nacional, com expansão de 5,4% nas vendas.
Na sequência aparecem:
- Paraná: +4,1%
- Distrito Federal: +4%
O desempenho pernambucano chama atenção porque ocorre em um momento de desaceleração parcial do consumo nacional. O resultado sugere maior dinamismo regional em setores ligados a serviços, turismo e comércio local.
A diferença entre regiões também reforça que o comportamento do consumo brasileiro não ocorre de maneira homogênea. Estados com mercados mais ligados a serviços e circulação turística apresentaram desempenho superior.
O Mastercard SpendingPulse acompanha o desempenho do varejo brasileiro com base em dados agregados e anonimizados de consumo, considerando compras realizadas em lojas físicas e no comércio eletrônico em diferentes modalidades de pagamento.



