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Mercado ilegal: inflação do azeite gera onda de crimes na Espanha

Mercado ilegal: inflação do azeite gera onda de crimes na Espanha
(Fotos: Xiao daCunha/Unsplash).

Na Espanha, o azeite de oliva conquistou um título indesejado: tornou-se o produto de supermercado mais furtado. Este fenômeno é atribuído à escalada dos preços, que transformou o azeite, também conhecido como “ouro líquido”, em um alvo mais cobiçado do que itens tradicionalmente visados, como o presunto “ibérico”. Secas severas e ondas de calor contribuíram para a escassez do produto, levando os preços a atingirem máximas históricas.

Os supermercados relatam que o azeite lidera a lista de produtos furtados nas regiões onde vive 70% da população espanhola. Grupos criminosos, especializados no furto de alimentos básicos para revenda no mercado ilegal, são os principais responsáveis.

Alejandro Alegre, diretor de marketing da empresa de segurança STC, observou a peculiaridade de um item essencial como o azeite liderar os roubos, destacando a presença de itens como presunto ibérico, queijos curados, lâminas de barbear e bebidas alcoólicas nessa lista.

O preço do azeite de oliva na Espanha mais que quadruplicou nos últimos quatro anos, refletindo a gravidade da situação. No fim de fevereiro de 2020, o litro de azeite extra virgem era comercializado por cerca de 2,13 euros no atacado. Atualmente, esse valor saltou para 8,88 euros, segundo dados do Ministério da Agricultura da Espanha. Este aumento evidencia as dificuldades enfrentadas pelo setor, com os preços subindo quase 70% apenas no último ano.

Em resposta ao crescente número de furtos, houve solicitações para a instalação de dispositivos antirroubo nas garrafas de azeite desde o terceiro trimestre do ano passado. No entanto, José Izquierdo, diretor de vendas da rede Eroski, mencionou que ladrões têm usado dispositivos magnéticos para neutralizar as etiquetas de segurança.

Além dos supermercados, os produtores de azeite também sofreram com assaltos. Roubos recentes resultaram na perda de dezenas de milhares de litros de azeite, impactando o setor.

A STC reporta que o azeite de oliva foi o item mais furtado em oito das 17 regiões da Espanha, incluindo as áreas densamente povoadas de Madri, Catalunha e Andaluzia. Em contraste, os destilados lideram a lista de produtos mais furtados no contexto nacional.

Curiosamente, enquanto o furto de bebidas alcoólicas é comum em várias partes da Europa, a Espanha se distingue pela preferência de itens “gourmet” por parte dos criminosos, incluindo queijos, atum-bonito e berbigão, destacando-se na escolha dos alvos.

As perdas atribuídas a furtos em lojas e erros na logística são estimadas em 1,8 bilhão de euros anualmente pela Aecoc, uma associação de fabricantes e comerciantes. A situação atual sugere desafios para o setor, com a última safra de azeitonas apontando para uma produção de cerca de 800.000 toneladas, segundo Kyle Holland, analista de sementes oleaginosas e óleos vegetais da Mintec. Este volume representa um aumento em relação ao ano anterior, mas a produção global está em declínio, e a qualidade dos óleos foi afetada pelo calor extremo.

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