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Gol busca financiadores para sair da recuperação judicial

Plano inclui refinanciamento de US$ 2 bi e emissão de novas ações

Gol busca financiadores para sair da recuperação judicial
(Foto: Divulgação/Gol).

A Gol apresentou ao mercado, na segunda-feira (27), seu plano financeiro para sair da recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecida como Chapter 11. Com a divulgação do documento, a empresa abre negociações com credores, acionistas e outros interessados em financiar sua reestruturação.

O plano financeiro inclui o refinanciamento de dívidas no valor de US$ 2 bilhões e uma injeção de capital de US$ 1,5 bilhão através da emissão de novas ações. Assim, a Gol espera que esses recursos permitam uma redução de 23,5% na dívida líquida em 2025 em comparação com 2024, para R$ 21,4 bilhões. O CEO da Gol, Celso Ferrer, afirmou que a empresa está focada em captar recursos junto a investidores e credores.

 

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Devido ao processo de reestruturação, a oferta de assentos deve cair 4% este ano. Ferrer informou que a Gol devolverá 12 aviões, cerca de 8,5% de sua frota até março, na expectativa de substituí-los por novos modelos. No entanto, a Boeing tem atrasado as entregas dessas novas aeronaves.

Os US$ 1,5 bilhão a serem levantados serão utilizados para pagar o empréstimo DIP (Debtor-in-Possession) de US$ 1 bilhão, garantido por detentores de dívida estrangeira, os “bondholders”.

Potencial de parcerias e fusões

O cenário atual pode favorecer uma eventual negociação entre a Gol e a Azul, controlada pela Abra, especialmente após o acordo de compartilhamento de voos (codeshare) entre as duas companhias. “Esse é o nosso papel. Vamos começar a falar disso [opções de financiamento] nos próximos dias com qualquer grupo que venha a se associar a qualquer uma dessas estruturas de equity e finance”, disse o presidente da Gol ao Valor.

A Gol terá que validar qualquer proposta de financiamento, que também precisará ser aprovada pela corte de Nova York. A estimativa é garantir os recursos necessários até o quarto trimestre. Além da Azul, o mercado aposta em nomes estratégicos como a American Airlines, que detém 5% da Gol, e a Air France.

Desafios e expectativas

Segundo o Valor, as conversas entre a Azul e a Abra atualmente estão mais direcionadas para uma fusão dos negócios, criando uma empresa com controle pulverizado, como solução para a definição de controle.

A disputa pelo fornecimento de recursos para a saída do Chapter 11 é positiva para os negócios, pois a melhor proposta financeira garante a continuidade da empresa. Na Latam, por exemplo, os principais acionistas antes do Chapter 11 eram a família Cueto, a Qatar Airways e a Delta Air Lines, que detinham cerca de 46% do capital. Após o processo, foram diluídos para uma participação de 25%, com outros credores assumindo fatias maiores.

Negociações com arrendadores

Celso Ferrer reconheceu que no início do processo havia dúvidas no mercado sobre a capacidade de manter os aviões em meio à alta demanda por aeronaves. No final, a Gol conseguiu negociar melhores condições de aluguel, reduzir os custos de devolução de aeronaves e assegurar uma linha de R$ 1,8 bilhão com arrendadores para manutenção de motores de avião. “Toda a reestruturação com arrendadores vai representar R$ 5,9 bilhões [para além do equity e refinanciamento]. O plano é sustentado por esse acordo”, afirmou Ferrer.

Perspectivas

Em 2024, a oferta de assentos deve cair 4% em comparação a 2023, devido à reestruturação. A Gol espera retomar os níveis de capacidade doméstica pré-pandemia em 2026. O atraso na entrega de novas aeronaves e a manutenção de motores são os principais desafios. Atualmente, 20 aviões estão parados por falta de motores. “Estamos com um programa grande de mandar motor para o mundo todo e revitalizá-los”, explicou Ferrer.

O prazo para receber de volta os motores passou de 90 para 120 dias, o que impacta a oferta de assentos. A Gol espera uma margem Ebitda de 23% em 2024, contra 27% em 2023, com previsão de aumentar para 34% ao final do plano.

Conclusão do processo de reestruturação

A empresa espera concluir o processo devolvendo 12 aeronaves. Em abril, fontes informaram ao Valor que o plano era devolver até 16 aeronaves. De acordo com o cronograma da Boeing, a Gol deve encerrar 2024 com 142 aeronaves, uma a mais do que em 2023. No entanto, o calendário de entregas tem sofrido diversos atrasos. “Já deveríamos ter recebido mais aeronaves do que recebemos [2]”, disse Ferrer.

A Gol projeta que seus níveis de liquidez alcancem aproximadamente 18% e 25% da receita de 12 meses até o final de 2025 e 2029, respectivamente. A dívida líquida deve cair de R$ 28 bilhões em 2024 para R$ 21,4 bilhões em 2025, principalmente devido ao pagamento do empréstimo DIP. A empresa também espera um índice de alavancagem líquida de 3,6 vezes em 2025 e de 1,7 vez em 2029, ao final do plano.

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