A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) aprovou reajuste máximo de 5,11% para planos de saúde individuais e familiares entre maio de 2026 e abril de 2027. O índice ficou abaixo dos 6,06% autorizados no ano anterior e figura entre os menores da série histórica regulada.
A decisão afeta cerca de 7,7 milhões de beneficiários e reduz o ritmo de crescimento das mensalidades em um período marcado pela desaceleração da inflação. Ao mesmo tempo, reacende uma disputa antiga entre regulador e operadoras sobre quem deve absorver a alta dos custos da assistência médica.
O movimento mostra que a pressão sobre os gastos com saúde continua elevada, mesmo com reajustes mais moderados para os consumidores.
Reajuste dos planos de saúde desacelera após anos de altas expressivas
O percentual aprovado pela ANS mantém a trajetória de desaceleração observada após os reajustes mais elevados registrados no período pós-pandemia.
Pela série histórica da agência, o índice de 5,11% é o menor desde a criação das regras atuais, desconsiderando o reajuste negativo de 2021, quando houve redução excepcional de 8,19%.
O contraste fica mais evidente quando comparado aos aumentos autorizados em anos anteriores.
Entre os maiores reajustes dos planos de saúde da série estão:
- 15,5% em 2022;
- Percentuais acima de 13% entre 2015 e 2017;
- 6,06% em 2025.
Segundo a ANS, o cálculo considera tanto a evolução dos custos médico-hospitalares quanto a frequência de utilização dos serviços pelos beneficiários.
Neste ano, a Variação das Despesas Assistenciais (VDA) alcançou 8,32%, indicador usado como uma das bases para a definição do reajuste.
Operadoras afirmam que custos seguem acima do índice autorizado
A redução do reajuste foi recebida com ressalvas por representantes do setor. A Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) afirma que o percentual aprovado não acompanha a evolução efetiva das despesas médicas enfrentadas pelas operadoras.
Entre os fatores apontados para o reajuste dos planos de saúde pela entidade estão:
- incorporação de novas tecnologias;
- envelhecimento da população;
- aumento da demanda por atendimentos;
- crescimento dos custos assistenciais.
Segundo a associação, a diferença entre a evolução dos gastos e os reajustes autorizados tende a aumentar os desafios financeiros das empresas, principalmente entre operadoras de pequeno e médio porte.
Dados apresentados pela entidade indicam resultado operacional negativo próximo de R$ 200 milhões para esse grupo em 2025. Além disso, cerca de 45% das empresas do segmento encerraram o período com prejuízo.
Para as operadoras, o debate sobre a metodologia utilizada pela agência reguladora deve ganhar importância à medida que os custos continuarem avançando acima da inflação geral da economia.
Apesar da repercussão, decisão da ANS atinge minoria do mercado de saúde suplementar
Embora o anúncio sobre o reajuste dos planos de saúde tenha grande repercussão em toda a cadeia, vale lembrar que o teto aprovado pela ANS vale apenas para contratos individuais e familiares.
Essa modalidade reúne o equivalente a 14,5% dos 52,9 milhões de usuários de planos de assistência médica no país. Portanto, a maior parte do mercado está nos contratos coletivos empresariais ou por adesão.
Nesses casos, os reajustes não possuem limite definido pela agência e são negociados diretamente entre operadoras e contratantes. O modelo frequentemente é alvo de críticas por parte de entidades de defesa do consumidor, que defendem regras mais rígidas para evitar aumentos considerados excessivos.
Já as operadoras argumentam que a flexibilidade é necessária para preservar o equilíbrio financeiro dos contratos.
Nesse cenário, o reajuste dos planos de saúde aprovado pela ANS reduz a pressão imediata sobre milhões de beneficiários, mas mantém aberta uma discussão que continua no centro do setor: como equilibrar mensalidades mais acessíveis com custos médicos que seguem avançando acima da inflação.





