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ANS aprova menor reajuste dos planos de saúde em décadas e reacende disputa sobre custos do setor

A ANS definiu em 5,11% o reajuste dos planos de saúde individuais e familiares. O índice é um dos menores da série histórica, mas operadoras afirmam que os custos médico-hospitalares continuam crescendo acima do percentual autorizado.
Médico preenche documentos ao lado de computador durante atividade administrativa relacionada à gestão de planos de saúde.
Reajuste de 5,11% aprovado pela ANS reacende o debate sobre o equilíbrio entre custos assistenciais e sustentabilidade das operadoras. (Foto: Reprodução)

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) aprovou reajuste máximo de 5,11% para planos de saúde individuais e familiares entre maio de 2026 e abril de 2027. O índice ficou abaixo dos 6,06% autorizados no ano anterior e figura entre os menores da série histórica regulada.

A decisão afeta cerca de 7,7 milhões de beneficiários e reduz o ritmo de crescimento das mensalidades em um período marcado pela desaceleração da inflação. Ao mesmo tempo, reacende uma disputa antiga entre regulador e operadoras sobre quem deve absorver a alta dos custos da assistência médica.

O movimento mostra que a pressão sobre os gastos com saúde continua elevada, mesmo com reajustes mais moderados para os consumidores.

Reajuste dos planos de saúde desacelera após anos de altas expressivas

O percentual aprovado pela ANS mantém a trajetória de desaceleração observada após os reajustes mais elevados registrados no período pós-pandemia.

Pela série histórica da agência, o índice de 5,11% é o menor desde a criação das regras atuais, desconsiderando o reajuste negativo de 2021, quando houve redução excepcional de 8,19%.

O contraste fica mais evidente quando comparado aos aumentos autorizados em anos anteriores.

Entre os maiores reajustes dos planos de saúde da série estão:

  • 15,5% em 2022;
  • Percentuais acima de 13% entre 2015 e 2017;
  • 6,06% em 2025.

Segundo a ANS, o cálculo considera tanto a evolução dos custos médico-hospitalares quanto a frequência de utilização dos serviços pelos beneficiários.

Neste ano, a Variação das Despesas Assistenciais (VDA) alcançou 8,32%, indicador usado como uma das bases para a definição do reajuste.

Operadoras afirmam que custos seguem acima do índice autorizado

A redução do reajuste foi recebida com ressalvas por representantes do setor. A Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde) afirma que o percentual aprovado não acompanha a evolução efetiva das despesas médicas enfrentadas pelas operadoras.

Entre os fatores apontados para o reajuste dos planos de saúde pela entidade estão:

  • incorporação de novas tecnologias;
  • envelhecimento da população;
  • aumento da demanda por atendimentos;
  • crescimento dos custos assistenciais.

Segundo a associação, a diferença entre a evolução dos gastos e os reajustes autorizados tende a aumentar os desafios financeiros das empresas, principalmente entre operadoras de pequeno e médio porte.

Dados apresentados pela entidade indicam resultado operacional negativo próximo de R$ 200 milhões para esse grupo em 2025. Além disso, cerca de 45% das empresas do segmento encerraram o período com prejuízo.

Para as operadoras, o debate sobre a metodologia utilizada pela agência reguladora deve ganhar importância à medida que os custos continuarem avançando acima da inflação geral da economia.

Apesar da repercussão, decisão da ANS atinge minoria do mercado de saúde suplementar

Embora o anúncio sobre o reajuste dos planos de saúde tenha grande repercussão em toda a cadeia, vale lembrar que o teto aprovado pela ANS vale apenas para contratos individuais e familiares.

Essa modalidade reúne o equivalente a 14,5% dos 52,9 milhões de usuários de planos de assistência médica no país. Portanto, a maior parte do mercado está nos contratos coletivos empresariais ou por adesão.

Nesses casos, os reajustes não possuem limite definido pela agência e são negociados diretamente entre operadoras e contratantes. O modelo frequentemente é alvo de críticas por parte de entidades de defesa do consumidor, que defendem regras mais rígidas para evitar aumentos considerados excessivos.

Já as operadoras argumentam que a flexibilidade é necessária para preservar o equilíbrio financeiro dos contratos.

Nesse cenário, o reajuste dos planos de saúde aprovado pela ANS reduz a pressão imediata sobre milhões de beneficiários, mas mantém aberta uma discussão que continua no centro do setor: como equilibrar mensalidades mais acessíveis com custos médicos que seguem avançando acima da inflação.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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