Autoridade monetária não vai segurar dólar “no peito”, afirma Galípolo

Banco Central reforça papel da autoridade monetária na estabilidade cambial e controle da inflação, em meio a desafios fiscais e alta do dólar.
Gabriel Galípolo falando em microfone.
(Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Entre expectativas de inflação e a desvalorização da moeda, os brasileiros acompanham de perto o comportamento do Banco Central, instituição responsável por equilibrar as variáveis econômicas do país. Recentemente, o diretor de Política Monetária, Gabriel Galípolo, reforçou o papel da autoridade monetária e trouxe reflexões sobre a dinâmica cambial, as expectativas do mercado e os desafios da política fiscal.

Autoridade monetária e o câmbio flutuante

Galípolo destacou que o Banco Central não intervém de forma arbitrária no câmbio. “Segurar o câmbio no peito” não é uma prática viável, considerando o modelo de câmbio flutuante, um dos pilares da economia brasileira. A moeda americana, que recentemente superou a marca de R$ 6, reflete não apenas a dinâmica do mercado global, mas também as percepções de risco e confiança no cenário fiscal interno.

A reserva cambial brasileira, estimada em R$ 370 bilhões, dá ao BC capacidade para intervenções pontuais em situações de disfuncionalidade econômica. No entanto, o economista reiterou que essas ações são medidas excepcionais, preservando o modelo atual que permite maior liberdade ao mercado.

Inflação, ajustes fiscais e mercado financeiro

Informações desencontradas sobre o pacote de cortes de gastos do governo impulsionaram o recente movimento de desancoragem das expectativas de inflação. Galípolo ressaltou que a divulgação antecipada e incompleta dessas medidas gerou especulações.

A reforma fiscal, que inclui a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, também impactou o dólar. Consequentemente, a valorização da moeda americana foi uma resposta do mercado, sobretudo, à falta de clareza inicial sobre como o governo equilibrará suas contas.

Perspectivas e desafios econômicos

O diretor apontou que o cenário econômico atual é dinâmico, com um contexto de desemprego em baixa e juros elevados. Essa combinação demanda cautela na condução da política monetária. Durante o Fórum Político da XP, Galípolo sinalizou que não haverá mudanças na política cambial, mantendo o direcionamento sob Roberto Campos Neto até sua possível transição para a presidência do BC em 2025.

Com a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) se aproximando, o mercado aguarda definições sobre os próximos passos na política de juros. Galípolo, no entanto, evitou antecipar qualquer medida, reforçando a postura técnica da instituição.

Foto de Vitoria Costa Pinto

Vitoria Costa Pinto

Vitória Costa Pinto, estudante de Comunicação Social na UFBA, iniciou sua carreira em 2019 como redatora. Atuou como social media, gestora de projetos e planejadora de conteúdo, consolidando-se como jornalista em 2024. Apaixonada por política, economia e negócios, acredita no poder transformador da comunicação.

Mais lidas

Últimas notícias