O crédito consignado privado tem despertado grande interesse entre os trabalhadores brasileiros. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mais de 40,1 milhões de simulações foram realizadas na plataforma da Carteira de Trabalho Digital entre os dias 21 e 23 de junho. O volume expressivo indica um forte interesse na nova modalidade de crédito, que utiliza o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia.
Alta procura pelo crédito consignado privado
Nos primeiros dias de funcionamento, a plataforma registrou um total de 4,5 milhões de propostas formais de empréstimo. Resultando na concretização de mais de 11 mil contratos. A medida, sancionada pelo governo federal, busca ampliar o acesso ao crédito para trabalhadores do setor privado, incluindo empregados rurais, domésticos e microempreendedores individuais (MEI).
Especialistas apontam que o consignado privado pode representar uma alternativa mais acessível de crédito, devido às taxas de juros reduzidas. Que em comparação a outras linhas de financiamento, como o crédito pessoal e o rotativo do cartão de crédito, são bem menores. No entanto, há o alerta sobre os riscos de endividamento, especialmente para aqueles que já possuem outras obrigações financeiras.
Como funciona o crédito consignado privado?
O consignado privado permite que trabalhadores com carteira assinada (CLT) comprometam até 35% de seu salário com as parcelas do empréstimo. Sendo que até 10% do saldo do FGTS pode ser utilizado como garantia. Além disso, em casos de demissão sem justa causa, o banco pode reter até 100% da multa rescisória para cobrir possíveis pendências.
Os interessados podem contratar o crédito por meio do aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, onde diversas instituições financeiras já estão operando. A partir de 25 de abril, novos bancos também poderão oferecer a linha de crédito diretamente em suas plataformas digitais. Ampliando as opções para os trabalhadores.
Veja mais detalhes sobre o alto número de consultas do crédito consignado privado:
Cautela na contratação
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, recomendou que os trabalhadores analisem cuidadosamente as ofertas antes de contratar o consignado privado. O governo orienta que os consumidores aguardem pelo menos 24 horas para receber todas as propostas disponíveis. Garantindo assim a escolha das taxas de juros mais baixas.
Além disso, o trabalhador pode desistir do contrato em até sete dias, desde que devolva o valor integral recebido. Essa medida busca evitar contratações impulsivas e garantir que o crédito seja uma ferramenta de auxílio financeiro, e não um fator de endividamento excessivo.
Impacto econômico do novo crédito consignado privado
O lançamento do crédito consignado privado faz parte da estratégia do governo para estimular o consumo e movimentar a economia. Com mais acesso ao crédito e taxas reduzidas, a expectativa é que os trabalhadores possam utilizar os recursos para reorganizar suas finanças, investir em qualificação profissional ou até mesmo realizar compras essenciais.
Contudo, economistas alertam que o uso indiscriminado do crédito consignado pode aumentar o nível de endividamento das famílias. Comprometendo a capacidade de pagamento e reduzindo o poder de compra a longo prazo. Por isso, a recomendação é que os trabalhadores façam simulações e comparem as condições antes de tomar qualquer decisão.
Expectativas para os próximos meses
A ampliação da oferta do consignado privado para novas instituições financeiras será a partir de abril. Espera-se que a concorrência entre os bancos resulte em condições mais favoráveis para os trabalhadores. A entrada de novos players no mercado poderá trazer taxas mais competitivas e aumentar a transparência nas operações, segundo o MTE.
O crédito consignado privado se consolida como uma alternativa viável de acesso ao crédito, especialmente para aqueles que possuem dificuldades em obter financiamentos convencionais. No entanto, como em qualquer decisão financeira, planejamento e cautela são essenciais para garantir que o empréstimo seja uma solução e não um problema a mais para os trabalhadores brasileiros.











