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Corte de juros nos EUA ganha força após CPI abaixo do esperado

Possível corte de juros nos EUA pelo Federal Reserve ganhou força após o CPI subir 0,3% em setembro, abaixo das projeções. O dado reforçou as apostas de que o Fed reduzirá novamente a taxa básica na reunião de 29 de outubro, embora a inflação anual de 3% ainda limite o ritmo dos cortes.
Fachada do Federal Reserve após divulgação do CPI reforçar o corte de juros nos EUA
Fachada do Federal Reserve, em Washington, símbolo da política monetária dos Estados Unidos. O CPI reforçou as apostas de novo corte de juros nos EUA. (Imagem: Wikimedia)

A espera por corte de juros nos EUA ganhou força nesta sexta-feira (24/10) após o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) vir abaixo das projeções, reforçando a expectativa de nova redução na taxa básica. O dado, divulgado com atraso pela paralisação parcial do governo americano, mostrou alta de 0,3% em setembro, sinalizando moderação na inflação e sustentando a aposta de que o Federal Reserve (Fed) seguirá com cortes graduais.

Na ferramenta FedWatch, do CME Group, quase 100% das apostas indicam uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de 29 de outubro. Mais de 95% dos investidores projetam novo ajuste de igual magnitude em dezembro, corte que deixaria os juros entre 3,5% e 3,75% ao fim de 2025.

O que é Índice de Preços ao Consumidor (CPI)

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) é o principal indicador de inflação dos Estados Unidos. Calculado pelo Departamento do Trabalho, ele mede a variação média dos preços de uma cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias, como alimentação, transporte, habitação e saúde. O CPI é usado pelo Federal Reserve (Fed) para avaliar o custo de vida e orientar as decisões sobre juros, já que revela se a economia enfrenta pressões inflacionárias ou períodos de estabilidade de preços.

Inflação ainda limita o espaço para corte de juros pelo Federal Reserve

Apesar do alívio inicial, a inflação acumulada em 12 meses atingiu 3%, o maior nível desde janeiro, e segue acima da meta de 2%. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou 0,23%, indicando que as pressões de serviços e habitação continuam elevadas. O resultado reforça a cautela do Fed, que deve evitar acelerar o ritmo de cortes de juros para não reacender a inflação dos EUA no início de 2026. Além disso, também resultou na queda do dólar hoje.

Economistas observam que, embora o CPI tenha vindo mais fraco, a inflação ainda não mostra desaceleração estrutural. Isso mantém a autoridade monetária presa a uma trajetória prudente, ajustando juros em etapas menores e acompanhando de perto o comportamento dos preços. O aguardado corte de juros, portanto, pode não ocorrer como esperado.

Ajustes graduais devem marcar o fim do ano

A divulgação do CPI trouxe alívio passageiro aos mercados, que ainda anseiam pelo corte de juros. O chamado supercore segue ligeiramente acima da meta, impedindo um afrouxamento mais intenso. O supercore é uma medida refinada de inflação usada pelo Fed para avaliar pressões internas de preços. O índice exclui alimentos, energia e habitação do cálculo do núcleo da inflação, concentrando-se em serviços como transporte, saúde e lazer.

Caso as projeções se confirmem, os títulos do Tesouro americano devem reagir com queda nas taxas de longo prazo, favorecendo mercados emergentes. Ainda assim, a falta de novos indicadores até dezembro aumenta a incerteza sobre o ritmo de baixas. O corte de juros nos EUA deve continuar em ritmo moderado, em um dos ciclos de transição monetária mais cautelosos da última década.

Foto de Luciano Simão

Luciano Simão

Luciano Simão é jornalista com atuação em produção editorial e análise de temas ligados à tecnologia, indústria e inovação. Possui mestrado em Estudos Literários, Culturais e Interartísticos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) e integra a equipe do Economic News Brasil, contribuindo com conteúdos analíticos sobre transformação digital e setores produtivos.

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