O avanço da dívida do governo em outubro refletiu a pressão constante dos juros elevados, já que a combinação entre emissão líquida e apropriação de encargos levou o estoque para R$ 8,253 trilhões. A primeira metade do semestre mantém ritmo firme de alta, e analistas entendem que o comportamento espelha os efeitos diretos da Taxa Selic sobre o passivo federal.
A emissão de títulos pós-fixados ganhou peso no mês, porque o volume adicional de papéis corrigidos pela Selic compensou a retração observada nos prefixados. Esse padrão acompanha a incerteza do mercado, marcada por tensões externas e câmbio instável, cenário que reduz o interesse por taxas fixadas com antecedência. A leitura técnica indica que a procura por pós-fixados funciona como uma espécie de endividamento nacional mais protegido para investidores em períodos de volatilidade.
Dívida do governo e composição dos títulos
A estrutura da carteira registrou aumento na fatia dos papéis atrelados à Selic, que alcançaram 48,19%. Na mesma comparação, os títulos prefixados caíram para 21,44%, enquanto os corrigidos pela inflação ficaram em 26,68%. Técnicos vinculam essa mudança ao impacto dos juros altos na dívida do governo e à preferência dos investidores por instrumentos que ajustam o risco diariamente.
O segmento cambial seguiu tendência semelhante. O estoque indexado ao dólar chegou a 3,68% após a valorização de 1,24% no mês. A DPMFi atingiu R$ 7,948 trilhões, impulsionada pela emissão de R$ 162,59 bilhões. Esse quadro reforça uma busca maior por proteção diante do ambiente internacional mais sensível, sobretudo com sinais de atrito comercial entre Estados Unidos e China.
Dívida federal brasileira e colchão financeiro
O colchão financeiro avançou para R$ 1,048 trilhão, nível capaz de cobrir 8,81 meses de vencimentos. A formação dessa reserva resulta da emissão líquida e atua como instrumento de segurança em períodos de concentração de pagamentos. Para os próximos 12 meses, o Tesouro projeta vencimentos de R$ 1,434 trilhão, valor que orienta a estratégia de financiamento.
O prazo médio da carteira recuou para 4,14 anos, sinal de equilíbrio moderado entre oferta e demanda pelos papéis. Instituições financeiras, fundos de pensão e fundos de investimento seguem como principais detentores, enquanto a participação de estrangeiros subiu para 10,46%. O panorama reforça uma base diversificada, ainda conectada ao comportamento dos mercados globais.
Ritmo fiscal e trajetória da dívida nacional
A leitura mais ampla indica que o estoque elevado amplia desafios para o planejamento fiscal, já que a correção diária dos títulos aumenta o custo de carregamento. A trajetória da dívida do governo se mostra ainda mais sensível à dinâmica da Selic, que acelera a apropriação dos juros e influencia o ritmo de expansão do passivo. Em paralelo, a recomposição do colchão financeiro tende a continuar, porque o cenário internacional segue instável. A manutenção desse ambiente pode moldar decisões futuras do Tesouro Nacional sobre composição e prazos.











