A investigação do iFood aberta pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ganhou novo alcance após denúncias sobre possíveis falhas no cumprimento do acordo de 2023, que definiu limites de exclusividade, quarentena contratual e teto de 25% do GMV vinculado a parceiros exclusivos. Esse cenário emergiu enquanto franquias e dark kitchens ampliam presença no delivery, ampliando o peso da regulação para redes que dependem de ranqueamento e acesso a meios de pagamento para sustentar vendas.
A investigação do iFood evolui porque, segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo, relatos de restaurantes e documentos enviados ao Cade ampliaram dúvidas sobre práticas que afetam a concorrência e a exposição de estabelecimentos em diferentes regiões. Essa etapa pode resultar em processo administrativo, caso a área técnica identifique elementos suficientes para aprofundar o caso.
Investigação do iFood e regras do Cade
O acordo de 2023 impôs barreiras que mudaram o relacionamento entre plataformas e restaurantes, especialmente aqueles que atuam em formato franqueado. Redes com 30 unidades não podem aderir a exclusividades, contratos têm limite de dois anos, e a quarentena posterior de doze meses passou a fazer parte da rotina. Para o Cade, denúncias recentes sugerem que ajustes internos poderiam influenciar comissões, exposição e operações em cidades onde a competição aumentou.
A Abrasel sustenta que o sistema do aplicativo criaria um ecossistema fechado com integração de pagamentos, logística e crédito. A entidade afirma que isso aproximaria redes não exclusivas do modelo usado por parceiros exclusivos. A denúncia cita ainda o uso de inteligência artificial para organizar entregas. O tema volta ao debate porque afeta o foodservice e operadores que ampliam cardápios em vários pontos.
Investigação do iFood e reação da plataforma
O iFood afirma cumprir todas as obrigações e cita monitoramentos independentes para embasar sua defesa. Segundo a empresa, franquias e cozinhas profissionais ligadas ao app avançaram 2,3 vezes mais que a média do setor após a assinatura do termo, movimento apoiado por soluções de fintech, antecipação de recebíveis e totens de autoatendimento que, segundo a companhia, elevaram a eficiência em 30%. Mais de 105 mil estabelecimentos aderiram desde 2023, reforçando a presença do ecossistema no mercado.
Exame regulatório sobre o aplicativo
O avanço das apurações ocorre em um ambiente no qual novos players tentam ganhar espaço e redes consolidadas repensam estratégias para lidar com aplicativos dominantes. A tendência é que a investigação do iFood influencie o ritmo da regulação, porque o comportamento de franquias e dark kitchens revela como o setor reage a mudanças na visibilidade e no acesso aos canais digitais. A forma como o Cade conduzirá os próximos passos pode alterar dinâmicas comerciais e reposicionar práticas do delivery em grandes centros urbanos.










