A viagem de Joesley Batista na Venezuela reacendeu uma curiosidade silenciosa entre analistas e investidores. Além disso, muitos se perguntam por que um empresário desse calibre do Grupo J&F aceitaria atuar como ponte numa missão tão sensível. Segundo a Bloomberg, Joesley se reuniu com Nicolás Maduro em 23 de novembro para tentar convencê-lo a aceitar o pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por uma saída pacífica do poder.
A missão gerou curiosidade no mercado, mas não quem acompanha a história de longo prazo entre o grupo J&F e Caracas. A relação ganhou escala há uma década, quando a hiperinflação e a escassez transformaram a Venezuela num dos maiores mercados globais da JBS.
O resultado foi uma dependência: quase metade da carne e um quarto do frango consumidos pelos venezuelanos vinham da JBS. Nesse período, Diosdado Cabello visitou fábricas da J&F no Brasil e a holding assinou um memorando com a PDVSA para exploração de petróleo em Orinoco.
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Segundo analistas, esse histórico explica por que Joesley mantém acesso a interlocutores de alto poder em Caracas e, ao mesmo tempo, interlocução direta com Trump. Ele atuou discretamente na reaproximação entre o presidente americano e Luiz Inácio Lula da Silva para revisar tarifas.
A presença de Joesley Batista na Venezuela revela um objetivo claro: preservar influência em dois polos estratégicos para o grupo J&F, como energia e proteína animal. Ela também reforça seu papel como negociador capaz de transitar em ambientes onde poucos chegam.
É a combinação rara de negócios, diplomacia empresarial e portas abertas que o coloca, mais uma vez, no tabuleiro geopolítico.
“Joesley Batista não é representante de nenhum governo”, disse a J&F, a holding da família Batista, em comunicado à Bloomberg News.











