Comércio entre Brasil e EUA: tarifaço redesenha exportação

O comércio entre Brasil e EUA enfrentou tarifa de 50% em agosto, derrubou vendas setoriais e forçou empresas a rever preços, contratos e rotas após suspensões parciais em novembro.
Comércio entre Brasil e EUA em encontro entre Lula e Trump
Lula e Trump se encontram durante agenda internacional em meio às tensões e negociações no comércio entre Brasil e EUA. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O comércio entre Brasil e EUA entrou em um choque comercial sem precedentes recentes na última quarta-feira (24/12), após o tarifaço anunciado em 02/04 pelo governo dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, e descrito por Lula como “um desafio inédito”. Além disso, a escalada expôs custos imediatos para exportadores e cadeias que dependem do mercado norte-americano.

Trump levou a agenda de tarifas da campanha para o governo, pois buscava produção doméstica e menor déficit comercial. Em 2024, o rombo foi de US$ 918,4 bilhões, alta de 17% ante 2023, segundo BEA e Censo dos EUA. Assim, o Brasil ficou na mira desde o início, inclusive por barreiras no etanol.

Comércio entre Brasil e EUA: a conta aparece nos números

A virada começou em 02/04, quando o “Dia da Libertação” aplicou 10% ao Brasil; depois, em agosto, a alíquota subiu a 50%. Como resultado, a relação ficou sem previsibilidade e o comércio entre Brasil e EUA perdeu tração na ponta exportadora.

Os envios mensais vinham de recuperação pós-pandemia e bateram US$ 4 bilhões em junho de 2022. Desde então, oscilaram entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões. Porém, em 2025, caíram do pico de US$ 3,8 bilhões em julho para US$ 2,2 bilhões em outubro, antes de reagirem a US$ 2,6 bilhões em novembro.

No detalhe setorial, o corte foi duro. Dados do Cecafé apontam queda acima de 50% nas compras de café brasileiro pelos EUA entre agosto e novembro, contra 2024. Ainda assim, os EUA seguiram como principal destino do café nos 11 primeiros meses de 2025.

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Comércio entre Brasil e EUA: setores e negociação sob estresse

Na madeira, a Abimci calcula queda de 55% nas exportações aos EUA durante o tarifaço, com base na Secex do MDIC. Enquanto isso, a pauta mostra dependência: petróleo bruto (12,4%), ferro e aço (9,1%), aeronaves (7%) e itens do agro. Além disso, há nichos que concentram quase tudo nos EUA, como calçados e pescados.

A crise também virou política quando Trump citou STF e Bolsonaro, o que alimentou narrativas rivais. Ainda assim, o governo tentou separar ideologia de negociação e pôs Geraldo Alckmin na linha de frente, com apoio do setor privado. Do lado empresarial, houve até acesso à Casa Branca, como no caso de Joesley Batista, da J&F.

Rotas alternativas nas trocas comerciais Brasil–EUA

Em 14/11, Trump derrubou tarifas recíprocas para parte de produtos agrícolas e, em 20/11, eliminou a sobretaxa extra de 40% aplicada a itens agrícolas brasileiros, com efeito retroativo a 13/11. Segundo o Itamaraty, mais de 200 produtos tiveram a cobrança adicional suspensa, como carne bovina, café, frutas e recursos naturais. Ainda assim, o comércio entre Brasil e EUA não voltou ao padrão, pois setores fora da lista seguem com tarifa de 50%, e a Amcham Brasil registrou retração em 21 setores entre agosto e novembro, com só seis compensando perdas.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na cobertura editorial e analítica de economia e negócios, e colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

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