A memória RAM mais cara começou a pressionar o mercado de eletrônicos e tende a pesar no bolso do consumidor em 2026. Fabricantes já ajustam oferta diante da escassez global do componente.
A origem do problema está na mudança de estratégia da indústria de semicondutores. Empresas direcionaram capacidade produtiva para chips avançados usados em data centers de inteligência artificial. Com isso, reduziram a fabricação de memórias tradicionais.
Esse redirecionamento afetou principalmente a DDR4, ainda presente em celulares, notebooks e computadores intermediários. A menor oferta encolheu estoques e abriu espaço para reajustes rápidos.
Um exemplo recente ilustra a pressão. Um módulo DDR4 de 16 GB saltou de R$ 650, em 10/11, para R$ 1.599 em 02/12, alta de 146%. O dado foi apurado em plataformas de comparação de preços.
Segundo Paulo Vizaco, diretor da Kingston no Brasil, fabricantes priorizam chips de maior retorno financeiro. A produção de modelos mais antigos perdeu espaço, enquanto a demanda seguiu firme.
Memória RAM mais cara e a reconfiguração da indústria
A concentração global do setor amplia o efeito da escassez. SK Hynix, Samsung e Micron lideram a produção mundial e ajustaram investimentos para atender a IA. Essa decisão redesenhou a cadeia.
Dados citados pela Reuters mostram que alguns segmentos de memória mais que dobraram de preço neste ano. Até modelos avançados, como a High Bandwidth Memory, já sentem restrições.
Para Márcio Andrey Teixeira, do IFSP e membro do IEEE, o Brasil enfrenta agravantes. Câmbio, impostos e logística ampliam o repasse e tornam a RAM encarecida mais visível ao consumidor.
Efeitos no varejo
Os produtos mais afetados tendem a ser os de entrada e intermediários. Eles utilizam DDR4 e têm menor margem para absorver custos. Fabricantes podem lançar aparelhos com menos memória.
Paulo Vizaco afirma que o consumidor pode ver configurações mais simples pelo mesmo preço anterior. Essa estratégia preserva margens, mas reduz o desempenho percebido.
Em eventos do setor, executivos já alertam para reflexos mais amplos. Mauricio Helfer, diretor da Dell no Brasil, avalia que tecnologia e automotivo sentem os efeitos a partir de 2026.
RAM mais custosa e o horizonte do mercado
O prazo para normalização permanece incerto. Vizaco afirma que a indústria acompanha a demanda com cautela. A Kingston busca manter abastecimento estável no Brasil.
Já a SK Hynix indicou a analistas que a escassez pode durar até o fim de 2027. Executivos ouvidos pela Reuters também apontam atrasos em projetos de data centers.
Nesse cenário, a memória RAM mais cara se consolida como reflexo direto da corrida por IA. A tendência indica um novo equilíbrio de preços, com ajustes prolongados e efeitos estruturais no mercado de eletrônicos.











