Risco país: Brasil fecha 2025 no menor nível desde 2023

O risco país Brasil encerrou 2025 no menor nível desde 2023, sustentado por juros altos, fluxo estrangeiro e cenário externo mais favorável, apesar das incertezas fiscais.
Risco país Brasil em queda refletido na evolução do CDS e na confiança dos investidores
Risco país Brasil recua em 2025 com apoio do CDS em baixa e maior interesse de investidores por ativos locais.

O risco país Brasil, indicador que mede a probabilidade de o país não honrar suas obrigações no mercado internacional, encerrou 2025 em 138 pontos-base, no fechamento de 30/12, no menor nível desde 2023. O indicador acumulou queda relevante ao longo do ano, após iniciar janeiro acima de 210 pontos.

O recuo do risco país Brasil ocorreu mesmo diante de um ambiente fiscal pressionado. Ainda assim, o mercado passou a precificar menor probabilidade de eventos extremos no curto prazo. Esse ajuste refletiu decisões monetárias domésticas e mudanças no cenário internacional.

Risco país Brasil e o efeito dos juros elevados

No plano interno, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano até dezembro. A política monetária restritiva reforçou o compromisso com a meta de inflação, atualmente fixada em 3%. Analistas avaliam que os juros altos funcionaram como amortecedor para o risco soberano do Brasil.

Além disso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram a taxa de desemprego em 5,2% no trimestre encerrado em novembro. O nível baixo sustentou a atividade econômica, embora o próprio Banco Central reconheça sinais iniciais de desaceleração.

O comportamento do risco país Brasil também dialogou com a percepção de controle inflacionário. A autoridade monetária apontou pressão concentrada em serviços, mas indicou vigilância constante sobre expectativas.

Risco país Brasil e o cenário externo

No ambiente internacional, o Federal Reserve retomou o ciclo de corte de juros. A taxa americana passou ao intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, reduzindo a atratividade dos Treasuries. Esse ajuste ampliou o interesse por ativos de mercados emergentes.

Com menor demanda global por dólar, investidores ampliaram posições em países com retorno elevado. Nesse contexto, o CDS brasileiro acompanhou o fluxo positivo. O ingresso líquido de capital estrangeiro na B3 somou R$ 26,96 bilhões em 2025.

Apesar disso, o quadro fiscal segue como ponto de atenção. O déficit nominal acumulado atingiu R$ 1,027 trilhão em 12 meses até novembro. Já a dívida bruta alcançou 79% do PIB, acima de R$ 10 trilhões.

Leitura atual do prêmio de risco do país

O fechamento do risco país Brasil em patamar reduzido indica melhora relativa na leitura de risco, embora não elimine incertezas. A aproximação do calendário eleitoral de 2026 tende a reintroduzir volatilidade nos preços.

Para gestores, a trajetória do risco país Brasil seguirá condicionada à condução fiscal e à política monetária global. No curto prazo, o mercado tende a acompanhar de perto o CDS do Brasil, indicador negociado no exterior e referência direta do prêmio de risco.

Foto de Ramylle Freitas

Ramylle Freitas

Ramylle Freitas é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na cobertura editorial e analítica de economia e negócios, e colabora com a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

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