A reação da América Latina ganhou forma neste sábado (03/01) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que forças americanas realizaram um ataque à Venezuela e retiraram Nicolás Maduro do país. Diante da escalada, governos da região adotaram posições públicas que expõem uma divisão política relevante no continente.
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência e condenou a ação militar. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que bombardeios em território venezuelano e a captura do chefe de Estado ultrapassam limites aceitáveis e representam uma afronta à soberania nacional, além de um risco ao sistema internacional, segundo o próprio presidente.
Reação da América Latina: condenações ganham força
A reação da América Latina seguiu com posicionamentos semelhantes de outros governos. No Chile, o presidente Gabriel Boric rejeitou o uso da força e defendeu uma saída baseada no diálogo e no multilateralismo. Em mensagem pública, Boric reiterou princípios do Direito Internacional, como a não intervenção e a proibição de ações armadas entre Estados.
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro adotou um tom institucional. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, afirmou observar com preocupação relatos de explosões e atividades aéreas incomuns na Venezuela. Petro reafirmou o compromisso do país com a Carta das Nações Unidas e com a proteção da vida e da dignidade humana.
Cuba também se manifestou. O presidente Miguel Díaz-Canel classificou os ataques como criminosos e declarou que a paz regional estaria sob ameaça. O governo cubano usou uma linguagem direta ao condenar a ação militar e ao denunciar impactos sobre a estabilidade do Caribe e da América do Sul.
Reação da América Latina contrasta com posição argentina
Apesar do predomínio de críticas, a reação da América Latina não foi uniforme. O presidente da Argentina, Javier Milei, adotou postura oposta. Em publicação nas redes sociais, ele reproduziu a notícia da captura de Maduro e escreveu “A liberdade avança”, sinalizando apoio político à iniciativa anunciada por Washington.
Essa diferença de posicionamento isolou a Argentina entre os países citados e reforçou a fragmentação regional diante da crise. Enquanto a maioria dos governos invocou soberania, legalidade internacional e soluções diplomáticas, Buenos Aires optou por um discurso alinhado ao governo americano.
Resposta regional e cenário diplomático
A reação da América Latina indica um ambiente diplomático mais tenso, com impactos diretos sobre articulações regionais e fóruns multilaterais. A ausência de consenso amplia a complexidade do cenário e sugere que os próximos passos dependerão de novas informações sobre os fatos e das decisões que Estados Unidos e Venezuela anunciarão nas próximas horas.



