Na última sexta-feira (09/01), o fechamento do reajuste da aposentadoria para 2026 ganhou contornos mais restritivos após o INPC encerrar 2025 em 3,90%, abaixo do IPCA, que fechou em 4,26%. Como consequência, aposentadorias acima do salário mínimo não terão recomposição integral frente à inflação oficial.
O descolamento entre os dois índices afeta diretamente os segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem acima do piso nacional. Enquanto o IPCA reflete a inflação média do país, o INPC é a base legal para corrigir esses benefícios, limitando o ajuste nominal.
Reajuste da aposentadoria e a regra do INPC
O reajuste da aposentadoria segue, desde 2003, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, calculado pelo IBGE. Esse indicador considera famílias com renda de um a cinco salários mínimos, perfil distinto daquele abrangido pelo IPCA.
Em 2025, a diferença de 0,36 ponto percentual entre os índices indica perda acumulada frente ao custo de vida médio. Esse efeito é mais perceptível porque despesas como habitação, saúde e educação registraram variações superiores ao INPC geral.
Além disso, o teto previdenciário deverá subir de R$ 8.157,41 para R$ 8.474,55 em 2026. No entanto, a aplicação oficial do novo valor ainda depende de portaria do governo federal no Diário Oficial da União.
Reajuste da aposentadoria sob pressão dos preços
A composição do INPC ajuda a explicar a compressão do poder de compra. Em 2025, os preços de produtos não alimentícios avançaram 4,32%, enquanto alimentação e bebidas subiram 2,63%. O grupo habitação acumulou alta de 6,78%, com destaque para energia elétrica e aluguel residencial.
No recorte regional, Vitória liderou a variação anual, com 4,82%, pressionada justamente por custos fixos. Porto Alegre apresentou a maior taxa mensal em dezembro, influenciada pela energia elétrica residencial e pelas carnes.
Para quem recebe o piso nacional, o cenário é distinto. O salário mínimo foi reajustado para R$ 1.621 desde 1º de janeiro, com atualização automática e desvinculada do INPC.
Atualização dos benefícios previdenciários em 2026
A atualização dos benefícios ocorre em paralelo às regras de transição da reforma da Previdência. Em 2026, a idade mínima sobe para 59 anos e seis meses para mulheres e 64 anos e seis meses para homens, enquanto a regra dos pontos passa a exigir 93 e 103 pontos, respectivamente.
Esse contexto reforça que o ajuste previdenciário permanece condicionado não apenas aos índices de preços, mas também ao desenho fiscal do sistema. O reajuste da aposentadoria, portanto, tende a continuar limitado enquanto o INPC permanecer abaixo da inflação oficial, impondo desafios adicionais ao orçamento dos segurados.











