A venda de ativos da Eucatex ganhou forma concreta na sexta-feira (09/01), quando a companhia anunciou a alienação de uma fazenda de eucalipto no interior paulista por R$ 200 milhões. Como o ativo representa menos de 2% das florestas plantadas do grupo, a operação reforça o caixa sem alterar a estrutura produtiva da empresa.
Além disso, a transação permite geração imediata de liquidez, ao mesmo tempo em que preserva a base operacional. Dessa forma, a Eucatex converte um ativo de baixa representatividade relativa em recursos financeiros relevantes.
Estrutura da operação preserva a produção
O negócio envolve a Fazenda Nossa Senhora da Conceição, localizada entre Itu e Porto Feliz, com 552,21 hectares de eucalipto. Do valor total, a companhia receberá R$ 60 milhões à vista, enquanto o saldo será quitado em 60 parcelas mensais.
Durante esse período, a Eucatex manterá a posse da área, o que garante tempo suficiente para a colheita da floresta plantada. Assim, a empresa assegura o abastecimento industrial e evita impactos na cadeia produtiva, mesmo após a alienação do ativo.
Estratégia de portfólio em ambiente restritivo
A companhia comunicou a alienação patrimonial ao mercado como parte de uma estratégia de ajuste do portfólio. Segundo a administração, os recursos obtidos serão direcionados a investimentos considerados estratégicos, sobretudo em um cenário de capital caro e maior seletividade no crédito.
Nesse contexto, a decisão reforça uma postura financeira cautelosa. Ao priorizar liquidez e eficiência, a empresa busca ampliar sua margem de manobra sem recorrer a endividamento adicional.
Rentabilidade sustenta avanço do lucro
A venda ocorre em paralelo a um trimestre de desempenho operacional robusto. No terceiro trimestre de 2025, a Eucatex registrou lucro líquido de R$ 84,3 milhões, alta de 64% na comparação anual. Ainda assim, esse avanço não decorreu de um salto expressivo da receita.
Entre julho e setembro, a receita líquida alcançou R$ 798,3 milhões, com crescimento de 3,1%. Em contrapartida, o Ebitda recorrente somou R$ 191,8 milhões, avanço de 27%, enquanto a margem Ebitda atingiu 24%, com expansão de 4,5 pontos percentuais.
Gestão de custos como eixo central
O lucro resultou principalmente da melhoria da rentabilidade e da gestão de custos, em uma economia pressionada por juros elevados e restrição de crédito.
Diante desse cenário, a desmobilização de ativos da Eucatex funciona como instrumento complementar de gestão financeira. Ao transformar patrimônio em liquidez, a companhia amplia flexibilidade para atravessar um ambiente macroeconômico adverso, sem comprometer sua capacidade produtiva.
Por fim, a leitura de mercado aponta que a venda de ativos da Eucatex se encaixa em uma estratégia conservadora, orientada por margens, eficiência operacional e preservação de caixa, fatores cada vez mais determinantes em ciclos prolongados de aperto monetário.











