Papelaria tradicional entra no varejo e quase dobra a receita

A papelaria tradicional entra no varejo ao abrir quiosque próprio, mantém o B2B como base e projeta quase dobrar o faturamento com gestão profissional e novos canais.
Papelaria tradicional entra no varejo com quiosque próprio
Papelaria tradicional entra no varejo e usa quiosque como canal estratégico. Imagem: Canva

A papelaria tradicional entra no varejo após mais de oito décadas com atuação quase exclusiva no atacado. Para isso, foi inaugurado um quiosque próprio no interior de São Paulo. A iniciativa foi adotada pela Animativa, fundada em 1944. Ainda assim, o modelo B2B foi mantido como base do negócio. A venda direta passou a ser usada como ferramenta estratégica para acelerar decisões comerciais e de produto.

Embora o novo canal represente uma inflexão relevante, foi sinalizado que o varejo não substitui a atuação histórica. Pelo contrário, o quiosque passou a ser utilizado como ponto de contato com o consumidor final. Assim, ajustes em mix de produtos, precificação, design e experiência de compra puderam ser realizados com mais rapidez, segundo a direção.

Papelaria tradicional entra no varejo como laboratório estratégico

O primeiro quiosque foi instalado no Shopping Iguatemi Rio Preto. Nele, foram concentrados itens do segmento de papelaria criativa, como cadernos, planners e produtos de organização pessoal. Além disso, passaram a ser oferecidas coleções licenciadas de marcas como Disney e Ursinhos Carinhosos, voltadas ao consumo fora do calendário escolar.

De acordo com o CEO Djalma Nunes, a capacidade de captar tendências passou a ser ampliada com o contato direto com o consumidor. Desse modo, conceitos puderam ser testados em tempo real. Com isso, reforça-se a leitura de que a papelaria tradicional entra no varejo não para competir com clientes B2B, mas para refinar decisões internas com base em dados.

Papelaria tradicional entra no varejo sem abandonar o B2B

Mesmo com a novidade, o faturamento permaneceu concentrado no fornecimento para atacadistas e pequenas e médias papelarias em todo o país. Os cadernos continuaram como principal produto. Esse desempenho segue sustentado pelo segmento educacional, responsável pela maior parcela da receita.

No exercício 2024/2025, um faturamento de R$ 8,5 milhões foi registrado. Para 2025/2026, uma receita de R$ 19,1 milhões passou a ser projetada. Esse avanço foi associado à profissionalização da gestão, iniciada em 2020. Nesse processo, foram priorizados governança corporativa, planejamento estratégico e decisões orientadas por dados.

Fabricante de papelaria no varejo direto e a redução da sazonalidade

Além do educacional, os segmentos corporativo e de entretenimento passaram a cumprir função complementar. Assim, a sazonalidade típica do material escolar foi diluída. Ao mesmo tempo, um fluxo de receita mais regular ao longo do ano foi mantido. Nesse contexto, o quiosque passou a ser usado para validar produtos que, depois, podem ganhar escala no atacado.

Atualmente, a companhia opera com mais de 350 colaboradores. A produção anual estimada supera 9 mil toneladas. Mesmo assim, a expansão de canais vem sendo buscada sem ruptura com a identidade industrial. Para Nunes, quando o mercado é ouvido e as rotas são ajustadas com rapidez, as chances de crescimento sustentável tendem a ser ampliadas. É esse aprendizado que sustenta, portanto, a decisão de que a papelaria tradicional entra no varejo.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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