O lucro do Bradesco no 1º trimestre de 2026 (1T26) alcançou R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado veio acima das projeções da LSEG, que apontavam lucro de R$ 6,7 bilhões.
O banco também elevou o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) para 15,8%, acima dos 14,4% registrados um ano antes. Mesmo com avanço da rentabilidade, o balanço mostrou aumento da inadimplência e forte pressão nas despesas com provisões para perdas com crédito.
O resultado amplia a percepção de recuperação operacional do Bradesco após a crise de inadimplência que atingiu grandes bancos nos últimos ciclos. O banco agora soma nove trimestres consecutivos de melhora no lucro recorrente.
O que fez o lucro do Bradesco subir no 1T26
A melhora do resultado veio da combinação entre crescimento da margem financeira, expansão da carteira de crédito e aumento da eficiência operacional do Bradesco.
A margem financeira líquida cresceu 8,3% em um ano e atingiu quase R$ 10,4 bilhões. O indicador mede quanto o banco ganha nas operações financeiras após custos de captação.
As receitas totais avançaram 14% e chegaram a R$ 36,9 bilhões. Já as receitas com prestação de serviços cresceram 6,2%, para R$ 10,4 bilhões.
A carteira expandida de crédito encerrou março em R$ 1,1 trilhão, alta anual de 8,4%.
O avanço ocorreu principalmente em:
- pessoa física, com crescimento de 9,5%;
- micro, pequenas e médias empresas, alta de 14,4%;
- grandes empresas, avanço de 3,3%.
O desempenho operacional também ajudou o banco a recuperar rentabilidade.
O índice de eficiência caiu de 51,8% para 49,2%, indicando redução proporcional de despesas em relação às receitas.
O Bradesco ainda reduziu estrutura física ao longo do trimestre:
- agências caíram de 2.009 para 1.938;
- postos de atendimento passaram de 1.872 para 1.723;
- unidades de negócios recuaram de 724 para 706.
A combinação entre maior receita e controle operacional ajudou o banco a elevar o ROE mesmo em ambiente de juros altos e desaceleração econômica.
Por que provisões e inadimplência ainda preocupam
O principal ponto de tensão do balanço apareceu no custo do crédito.
A despesa com provisões para devedores duvidosos (PDD) expandida cresceu 26,5% em um ano e 9,5% no trimestre, totalizando quase R$ 9,7 bilhões.
No atacado, as provisões saltaram para R$ 800 milhões. Um ano antes, o valor era de R$ 200 milhões.
No varejo, a PDD expandida chegou a R$ 8,8 bilhões.
Segundo o Bradesco, a pressão veio de:
- operações emergenciais;
- crédito rural de safras antigas;
- linhas reestruturadas;
- operações de capital de giro com garantias.
O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 4,2%, levemente acima dos 4,1% registrados um ano antes.
As micro, pequenas e médias empresas continuam no radar do mercado financeiro por concentrarem parte relevante do aumento do risco de crédito.
O cenário macroeconômico também segue pressionando bancos com:
- juros elevados;
- endividamento alto;
- desaceleração da atividade;
- maior cautela no crédito.
Isso ajuda a explicar a fala do presidente-executivo Marcelo Noronha ao afirmar que o Bradesco seguirá avançando “step by step”.
Bradesco tenta recuperar rentabilidade sem elevar risco
Mesmo com piora do custo do crédito, o banco decidiu manter a projeção de crescimento da carteira expandida entre 8,5% e 10,5% em 2026. A estratégia indica tentativa de equilibrar expansão comercial e preservação da qualidade dos ativos.
Na movimentação por estágios de risco, o banco reduziu operações classificadas no estágio 3, considerado o mais crítico da carteira. O saldo caiu de R$ 59,4 bilhões no quarto trimestre para R$ 57,4 bilhões em março.
A instituição financeira também terminou o trimestre com índice de Basileia de 17,4% e capital principal de 12,7%, mantendo folga de capital considerada confortável pelo mercado.
Outro vetor relevante do resultado veio da operação de seguros. O lucro líquido da área no Bradesco atingiu R$ 2,8 bilhões, alta de 13%, com retorno sobre patrimônio de 21,6%.
O desempenho ocorre após a criação da Bradsaúde, conglomerado que reúne Bradesco Saúde, Odontoprev e Atlântica Hospitais. A nova estrutura amplia o peso das receitas de saúde e seguros dentro do grupo e reduz a dependência exclusiva do crédito bancário tradicional.
O balanço mostra que o Bradesco conseguiu elevar lucro e rentabilidade no 1T26, mas ainda enfrenta pressão relevante em inadimplência e provisões, principal ponto de atenção para sustentar a recuperação nos próximos trimestres.



