Resultados da Klabin no 1º tri mudam leitura sobre dívida, mas prejuízo expõe pressão no caixa

Klabin reduziu dívida e ganhou perspectiva positiva da Fitch, mas prejuízo, EBITDA menor e caixa pressionado limitam melhora financeira.
Fábrica da Klabin durante operação industrial no resultado do 1T26
Klabin registrou prejuízo no 1T26 mesmo com crescimento de vendas e redução da dívida (Foto: Divulgação/Klabin)

A Klabin entrou em 2026 com alívio na dívida, mas sem transformar esse ganho em lucro. O resultado da Klabin no primeiro trimestre de 2026 (1T26), divulgado nesta quarta-feira (06/05), mostrou prejuízo líquido de R$ 497 milhões, contra lucro de R$ 446 milhões um ano antes.

A melhora financeira veio pelo lado do balanço: pré-pagamentos, valorização do real e menor endividamento. O limite apareceu no caixa, pressionado por manutenção industrial, CAPEX e menor geração operacional.

A leitura do trimestre não cabe apenas na virada para prejuízo. A empresa reduziu alavancagem em reais, manteve 3,3 vezes em dólar e recebeu perspectiva positiva da Fitch, enquanto o EBITDA ajustado caiu 10%.

Dívida menor melhora percepção de risco da Klabin

Segundo a publicação da atual temporada de balanços, a Klabin encerrou março com endividamento líquido de R$ 24 bilhões, queda de 21% em relação ao 1T25. A redução foi apoiada por amortizações, pré-pagamentos e efeito cambial favorável sobre passivos em moeda estrangeira.

O endividamento bruto caiu R$ 3,9 bilhões ante dezembro. Desse total, R$ 1,7 bilhão veio de pré-pagamentos e amortizações, incluindo resgate antecipado de Green Bonds 2027.

O resultado, porém, ainda apresenta uma melhora incompleta. A alavancagem em dólar ficou em 3,3 vezes, estável frente ao trimestre anterior. Em reais, caiu para 3,1 vezes, mas o ganho ainda depende da manutenção do caixa operacional.

Prejuízo mostra limite da desalavancagem no curto prazo

O ponto frágil do trimestre está na conversão de receita em resultado. A receita líquida subiu 2%, para R$ 4,9 bilhões, com aumento de volumes em todos os negócios, mas o EBITDA ajustado recuou para R$ 1,7 bilhão.

O resultado da Klabin no 1T26 mostra que vender mais não bastou. A apreciação do real reduziu a receita de exportação, enquanto a parada de manutenção de Monte Alegre elevou custos e afetou a geração operacional.

A empresa também teve efeito contábil negativo relevante em ativos biológicos. Esse impacto não representa saída de caixa, mas reduziu o lucro contábil em relação ao 4° trimestre de 2025 e ampliou a distância entre desempenho operacional e resultado final.

A pressão ficou clara em três frentes:

  • EBITDA ajustado caiu 10% na comparação anual;
  • fluxo de caixa livre consumiu R$ 404 milhões no trimestre;
  • CAPEX subiu 39%, com gastos em Monte Alegre e silvicultura.

O caixa também foi afetado por capital de giro. A companhia apontou concentração de pagamentos a fornecedores ligados às paradas de Monte Alegre e Ortigueira, fator que reduziu a folga financeira no período.

Fitch melhora percepção de risco, mas caixa segue pressionado

A revisão da Fitch Ratings para perspectiva positiva ajudou a aliviar a leitura sobre a dívida da Klabin no trimestre. A agência citou redução da alavancagem, menor pressão de investimentos e melhora na geração de caixa futura.

O endividamento bruto caiu R$ 3,9 bilhões frente ao trimestre anterior, apoiado por amortizações, pré-pagamentos e valorização do real sobre a dívida em dólar.

O resultado da Klabin no 1° trimestre de 202, portanto, mostra uma companhia menos pressionada pela dívida, mas ainda sem transformar crescimento de volume em recuperação consistente de margem e caixa.

O que o mercado passa a monitorar na Klabin após resultados do 1° trimestre

O trimestre deixou uma mudança clara na leitura sobre a companhia. Há menos preocupação imediata com risco financeiro e mais atenção sobre a capacidade da Klabin de recuperar margem operacional em um ambiente ainda pressionado por câmbio, custos florestais e investimentos industriais.

A empresa conseguiu reduzir dívida e preservar liquidez, mas ainda depende de melhora operacional para transformar crescimento de volume em geração mais forte de caixa. Sem isso, a desalavancagem tende a avançar em ritmo mais lento nos próximos trimestres.

O resultado da Klabin no 1T26 reforça uma transição importante: a companhia saiu da fase de pressão máxima sobre o balanço, mas ainda precisa provar que consegue recuperar rentabilidade sem depender apenas de efeito cambial ou redução financeira da dívida.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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