O lucro do Banco Pine dobrou no 1T26 e chegou a R$ 149,9 milhões, alta de 104% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (06/05). O resultado refletiu avanço em quatro frentes: rentabilidade, margem e carteira, estrutura de capital e diversificação com reconhecimento externo.
Ao Economic News Brasil, com exclusividade, Noberto Pinheiro Jr., diretor executivo e vice-presidente do Conselho de Administração do Banco Pine, afirmou que o período combinou captação, crescimento e disciplina.
“O 1º trimestre foi marcado pela realização do nosso follow-on em um ambiente volátil. Mesmo nesse cenário, concluímos a operação com sucesso e seguimos avançando com disciplina e cautela, entregando crescimento da originação e das carteiras, maior diversificação das receitas e resultados recordes”, destacou Pinheiro.
Lucro do Banco Pine dobra com ROAE de 37,9%
A rentabilidade foi a primeira frente de avanço. A alta anual do lucro ganhou peso porque veio acompanhada de ROAE de 37,9%, indicador que mede o retorno sobre o patrimônio médio.
O dado mostra que o crescimento do Banco Pine não ficou restrito ao aumento da carteira. A instituição ampliou resultado com melhor uso da base de capital, métrica relevante para avaliar bancos médios em fase de expansão.
Os principais dados do Banco Pine no 1T26 foram:
- Lucro líquido: R$ 149,9 milhões, alta de 104%;
- ROAE: 37,9%;
- Carteira de crédito expandida: R$ 19,8 bilhões;
- Patrimônio líquido: R$ 1,7 bilhão;
- Receitas de serviços e tarifas: R$ 26,2 milhões.
Margem mais forte sustenta resultado no 1T26
A segunda frente foi a margem. A margem financeira líquida somou R$ 360,4 milhões no relatório da administração, alta de 85,6% sobre o 1T25.
O avanço indica que a expansão das carteiras veio acompanhada de maior retorno operacional. Esse movimento reflete mudança no mix de crédito e maior exposição a linhas de melhor retorno, especialmente no varejo colateralizado e em produtos ligados ao consignado.
Em um ciclo de juros ainda elevado, a margem mostra a capacidade do Pine de transformar originação em resultado, preservando disciplina na seleção de risco e controle do custo de captação.
Carteira avança no varejo colateralizado
A carteira de crédito expandida chegou a R$ 19,8 bilhões em março, crescimento de 28,5% em relação a março de 2025. O avanço foi puxado pelo varejo colateralizado, pelo consignado privado e pela retomada seletiva no atacado.
No atacado, o banco manteve foco em operações colateralizadas, preservando seletividade na relação risco-retorno. O desenho reduz a exposição a crescimento baseado apenas em volume.
Oferta de ações dá fôlego ao crescimento
A terceira frente foi a estrutura financeira. O Banco Pine havia anunciado uma oferta de ações com potencial de alcançar até R$ 400 milhões, conforme comunicado ao mercado. Em março, após a definição do preço final da oferta, a captação ficou em R$ 245,9 milhões.
A operação, realizada na B3, reforçou a estrutura de capital da instituição. O patrimônio líquido encerrou março em R$ 1,7 bilhão, avanço de 23,1% em relação ao 4T25.
Com uma base mais robusta, o banco impulsiona a expansão da originação e traciona o crescimento da carteira sem perder disciplina financeira. Entre bancos médios, capital, funding e controle de risco determinam a capacidade de transformar expansão em resultado recorrente.
Receitas crescem e reforçam diversificação
A quarta frente foi a diversificação. As receitas de serviços e tarifas do Pine somaram R$ 26,2 milhões no 1T26, alta de 38,2% sobre o mesmo período do ano anterior, puxadas principalmente pela operação de seguros no varejo.
Esse avanço reduz a dependência de uma única fonte de resultado. Crédito, seguros, tarifas, varejo colateralizado e atacado seletivo formam uma base mais ampla de geração de receitas.
Rating e ação do Banco Pine reforçam leitura do mercado
Neste ano, a Moody’s Local Brasil elevou os ratings de emissor e depósito de longo prazo do Banco Pine para A+.br, ante A.br, e manteve a perspectiva positiva. A agência associou a decisão ao fortalecimento da posição de capital após o follow-on, ao resultado mais forte de 2025, à rentabilidade robusta e ao perfil de risco controlado dos ativos.
A ação do Banco Pine (PINE4) também reforçou a leitura positiva do mercado. A valorização dos papéis ampliou a visibilidade do Pine entre bancos médios listados e indicou que investidores passaram a precificar melhor a execução do banco no trimestre.
Crescimento com disciplina marca o 1T26
O balanço do 1T26 mostra que as quatro frentes atuaram de forma combinada, mas a missão agora será sustentar esse ritmo sem deteriorar a qualidade da carteira. Em bancos médios, crescimento só ganha valor quando vem acompanhado de capital, margem e controle de risco, combinação que aparece nos resultados recentes do Banco Pine.
A leitura final é favorável porque o lucro do Banco Pine refletiu uma operação mais rentável, com base de capital reforçada e receitas mais distribuídas. A continuidade desse desempenho dependerá da capacidade do banco de transformar escala em retorno recorrente.



