As exportações de café cresceram em novembro, impulsionadas pelo avanço do robusta, enquanto o arábica perdeu fôlego, segundo dados divulgados na segunda-feira (12/01) pela Organização Internacional do Café (OIC). No período, os embarques globais de café verde alcançaram 8,95 milhões de sacas de 60 quilos, alta de 4,8% na comparação anual.
O desempenho positivo teve origem clara no robusta. As vendas externas dessa variedade somaram 3,24 milhões de sacas, avanço de 28% frente a novembro do ano anterior. A OIC atribui o resultado ao aumento da oferta em países asiáticos e africanos, com reflexos diretos no comércio internacional, sobretudo nos segmentos de café solúvel e blends industriais.
Exportações de café e a ascensão do robusta
O Vietnã concentrou a maior parte desse crescimento. Maior produtor global de robusta, o país ampliou seus embarques em 93%, para 1,47 milhão de sacas no mês. Além disso, Uganda e Indonésia também elevaram suas vendas externas, reforçando a presença do robusta no mercado global.
Esse avanço alterou o mix de produto negociado internacionalmente. Enquanto o robusta ganhou espaço, o arábica apresentou retração, refletindo um cenário de oferta mais restrita em origens tradicionais e ajustes na demanda de torrefadores, de acordo com a leitura institucional da OIC.
Exportações de café sob pressão no arábica
No caso do arábica, os Suaves Colombianos registraram leve queda de 0,9%, com embarques de 1,24 milhão de sacas. Já os Naturais Brasileiros tiveram recuo mais acentuado, de 14,7%, totalizando 3,25 milhões de sacas no mês analisado.
A OIC aponta dois fatores para o desempenho brasileiro: redução da oferta interna e o efeito da tarifa de importação dos Estados Unidos, que permaneceu em vigor até meados de novembro. Esse ambiente limitou os volumes exportáveis e reduziu a competitividade do café brasileiro em seu principal destino.
Embarques globais de café e ajustes no comércio
A combinação entre robusta mais abundante e arábica mais escasso provocou ajustes nos fluxos comerciais. Para países compradores, o cenário favoreceu alternativas de custo mais baixo, enquanto produtores de arábica enfrentaram maior seletividade da demanda.
Nesse contexto, as exportações de café seguem condicionadas à oferta regional, às políticas comerciais e ao comportamento do consumo. A leitura da OIC sugere que, no curto prazo, o robusta deve manter participação elevada, enquanto o arábica dependerá de normalização produtiva e de ambiente tarifário mais previsível para recuperar espaço no comércio global.











