A alta do etanol levou o biocombustível hidratado negociado nas usinas de São Paulo a superar R$ 3,00 por litro na última semana, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP(Cepea), divulgados na quinta-feira (09/01). O patamar foi alcançado pela primeira vez na safra 2025/26, em valores líquidos de impostos, e ocorre em um período marcado por menor disponibilidade do produto no mercado paulista.
De acordo com Cepea, o preço médio do etanol hidratado no estado fechou em R$ 3,0228 por litro entre os dias 5 e 9 de janeiro. A leitura indica avanço semanal de 2,26% e reflete o ambiente típico de fim de safra, quando a produção diminui e as negociações ganham maior rigidez.
Alta do etanol e restrição de oferta
A alta do etanol está diretamente associada ao estágio final da safra 2025/26, cujo encerramento está previsto para abril. Nesse intervalo, a redução da moagem de cana limita a oferta de biocombustível, o que fortalece o poder de barganha das usinas nas vendas spot.
Além disso, produtores têm adotado postura mais firme nas negociações, buscando preservar preços diante da menor disponibilidade. Esse comportamento, segundo o Cepea, contribuiu para sustentar as cotações do etanol hidratado, combustível utilizado diretamente em carros flex, em um mercado já mais ajustado.
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Oferta limitada e estratégia das usinas
Pelo lado da procura, a alta do etanol também encontra respaldo no comportamento recente das distribuidoras. Após um período de vendas mais intensas no fim do ano, empresas do setor retomaram a reposição de estoques, o que ampliou o volume negociado nas usinas paulistas.
Entre 5 e 9 de janeiro, o total comercializado de etanol hidratado foi o maior desde 19 de janeiro de 2024. Esse aumento de liquidez reforçou a tendência de avanço de preços, ao combinar demanda ativa com oferta limitada no mercado de curto prazo.
Encarecimento do etanol e reflexos no anidro
O encarecimento do etanol não ficou restrito ao produto hidratado. O etanol anidro, utilizado na mistura com a gasolina, também apresentou valorização no período. O Indicador CEPEA/ESALQ encerrou a semana a R$ 3,4170 por litro, líquido de impostos, com alta de 1,43% na comparação semanal.
Esse comportamento paralelo reforça a leitura de um mercado ajustado, no qual a menor produção sazonal afeta diferentes segmentos do setor sucroenergético. Enquanto isso, agentes acompanham atentamente a relação de preços entre etanol e gasolina, fator que influencia decisões ao longo da cadeia de combustíveis.
No curto prazo, a alta do etanol tende a se manter enquanto persistirem as condições de fim de safra e a atuação firme das usinas. A combinação de oferta restrita, demanda aquecida e referência do Indicador CEPEA/ESALQ sugere um ambiente de preços sustentados, com impactos relevantes para distribuidoras e para a dinâmica do mercado energético no início de 2026.











