As tarifas de Trump sobre o Irã passaram a redesenhar o mapa de risco do comércio internacional após o anúncio feito na segunda-feira (12/01). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer país que mantenha relações comerciais com Teerã poderá sofrer uma tarifa de 25% sobre suas exportações ao mercado norte-americano, ampliando a cautela entre parceiros do país persa, incluindo o Brasil.
Embora a Casa Branca ainda não tenha detalhado critérios operacionais, o histórico recente da política comercial dos EUA sugere que anúncios desse tipo costumam gerar efeitos práticos. Nesse contexto, o comércio exterior brasileiro entra no radar, dado o volume e a concentração das trocas com o Irã ao longo de 2025.
Tarifas de Trump sobre o Irã e a exposição do comércio brasileiro
O Brasil encerrou 2025 com superávit de US$ 2,9 bilhões no comércio bilateral com o Irã, sustentado por uma pauta fortemente concentrada no agronegócio. Esse perfil aumenta a exposição do país diante das tarifas de Trump sobre o Irã, sobretudo em um ambiente de maior sensibilidade a barreiras comerciais.
Além disso, as exportações brasileiras para o mercado iraniano são dominadas pelo milho, que respondeu por 67,9% do total embarcado em 2025. A soja aparece na sequência, com 19,3%. No mesmo período, o Irã foi o principal destino do milho brasileiro, ao importar 9,1 milhões de toneladas, volume semelhante ao comprado conjuntamente por Egito e China.
Tarifas de Trump sobre o Irã e o histórico recente da política comercial dos EUA
A estratégia anunciada por Trump se conecta a decisões adotadas anteriormente. Em meados de 2025, os Estados Unidos impuseram tarifas adicionais sobre produtos brasileiros como carne bovina, café e suco de laranja. Meses depois, Washington recuou parcialmente para conter pressões inflacionárias internas, embora alguns itens tenham permanecido tarifados.
Esse histórico reforça que as tarifas de Trump sobre o Irã não surgem de forma isolada. Ao contrário, fazem parte de uma política tarifária mais ampla, na qual anúncios iniciais costumam ser seguidos por ajustes, negociações e exceções pontuais, mantendo um ambiente de incerteza para exportadores.
Saiba mais sobre o recente anúncio de Donald Trump sobre tarifas a países que comercializarem com o Irã
Comércio com o Irã, fertilizantes e efeitos indiretos
Além das exportações, o Brasil mantém importações relevantes do Irã, especialmente de fertilizantes, como a ureia. Em 2025, essas compras somaram cerca de US$ 85 milhões, valor modesto, mas estratégico para a cadeia agrícola. Qualquer alteração nesse fluxo pode gerar reflexos indiretos sobre custos e planejamento do setor.
Diante desse cenário, o risco imediato para o comércio do Brasil depende menos do anúncio em si e mais da forma como os EUA irão operacionalizar as tarifas de Trump sobre o Irã. Ainda assim, a combinação entre concentração exportadora, histórico de atritos comerciais e um ambiente global mais restritivo coloca o tema no centro das decisões de empresas e formuladores de política econômica.











