O consórcio imobiliário passou a ocupar lugar relevante no planejamento patrimonial dos brasileiros em um cenário de crédito restrito e custo elevado do dinheiro. Na última terça-feira (13/01), dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC) mostraram que o segmento de imóveis cresceu 24,7% em 2024, ritmo superior ao da maior parte das linhas de crédito habitacional.
O avanço ocorre porque, ao contrário do financiamento tradicional, o consórcio imobiliário não envolve juros bancários. Em vez disso, o custo está concentrado na taxa de administração, diluída ao longo do prazo, além de um fundo de reserva. Essa estrutura altera a lógica financeira da compra, sobretudo quando a decisão não exige imediatismo.
Consórcio imobiliário e a lógica do custo no tempo
Na prática, o consórcio imobiliário funciona como um fundo coletivo. Os participantes pagam parcelas mensais e, a cada período, cartas de crédito são distribuídas por sorteio ou lance. O valor é corrigido por um índice, geralmente o INCC, para preservar o poder de compra ao longo dos anos.
A modalidade deixou de ser apenas uma “poupança forçada”. Além de uma compra programada, o consórcio é um instrumento de planejamento financeiro. Para quem consegue manter recursos aplicados enquanto paga as parcelas, a liquidez e a rentabilidade dos investimentos entram na equação.
Ainda assim, o custo precisa ser observado com cuidado. Taxas de administração entre 15% e 23% incidem sobre toda a carta de crédito. Embora não haja capitalização composta, o desembolso total pode ser relevante no longo prazo.
Consórcio imobiliário, FGTS e flexibilidade de uso
Outro diferencial do consórcio imobiliário é a possibilidade de uso do FGTS. O saldo pode ser direcionado para lances, complementação da carta, amortização do saldo devedor ou abatimento parcial das prestações, conforme regras definidas pela ABAC.
Além disso, há liberdade na escolha do imóvel apenas após a contemplação. A compra via consórcio permite adquirir imóvel novo, usado, terreno ou até financiar construção e reforma, o que amplia o leque de decisões patrimoniais.
Para quem o consórcio de imóveis faz sentido
O consórcio imobiliário tende a ser adequado para quem não tem urgência na compra e consegue planejar no longo prazo. Perfis com capacidade de ofertar lances elevados aumentam as chances de antecipar a carta, embora não exista garantia.
Por outro lado, há riscos. A valorização dos imóveis pode superar o índice de correção da carta, reduzindo o padrão possível de compra. Além disso, mesmo após a contemplação, ocorre análise de crédito, o que pode atrasar ou impedir o uso imediato dos recursos.
No balanço final, o consórcio habitacional não substitui automaticamente o financiamento. Ele reposiciona o custo do dinheiro no tempo e exige disciplina financeira, mas pode fazer sentido quando alinhado ao objetivo patrimonial correto.











