A sucessão no Banco Central (BC) passou a concentrar atenção inédita do mercado financeiro após o agravamento da crise aberta pelo escândalo do Banco Master. A vaga de diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução está aberta desde 31 de dezembro e ganhou peso estratégico diante da maior crise bancária recente do país.
Em condições normais, a função é técnica e discreta. No entanto, o contexto mudou. A diretoria esteve no centro das decisões que levaram à liquidação do Banco Master, o que elevou a pressão institucional e política sobre a escolha do próximo ocupante.
Foi o então diretor Renato Gomes quem barrou a venda do banco e determinou a liquidação. A decisão provocou ataques que começaram dentro do próprio Estado e se espalharam nas redes sociais. Segundo um ex-diretor do BC, a combinação entre críticas do Tribunal de Contas da União (TCU) e a ausência de defesa clara do governo dificulta atrair um nome de peso para a cadeira.
Sucessão no Banco Central
Nesse cenário, a sucessão no Banco Central passou a gerar mais ansiedade do que a escolha do novo diretor de Política Monetária, tradicionalmente vista como a função mais sensível por envolver juros e câmbio. O processo de busca para as duas vagas já começou.
Para a diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, a expectativa é de solução interna, com a promoção de um técnico de carreira do BC. Já para a Política Monetária, deixada por Diogo Guillen, foram sondados Tiago Cavalcanti, da Universidade de Cambridge, e Thiago Ferreira, pesquisador do Federal Reserve.
O perfil de Ferreira indica que ele assumiu recentemente uma posição na gestora Vanguard, o que sugere sua saída da disputa. Não há prazo formal para os anúncios. Ainda assim, o mercado pressiona, enquanto a decisão final segue concentrada no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem critérios públicos definidos até agora.
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