Em 12 de novembro de 2025 (12/11/25), Daniel Vorcaro e BTG Pactual firmaram um contrato de empréstimo superior a R$ 86 milhões, poucos dias antes da prisão do banqueiro, em (17/11), e da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central. A operação foi estruturada por meio de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) com vencimento previsto para dezembro de 2025.
O documento fixou o custo do crédito em 100% da taxa DI acrescida de 12% ao ano. Inicialmente, o contrato estabeleceu um principal de R$ 86,27 milhões, mas um complemento assinado dois dias depois elevou o montante para aproximadamente R$ 86,38 milhões.
Daniel Vorcaro e BTG Pactual: estrutura financeira e garantias
Como garantia da operação, Daniel Vorcaro assinou, na mesma data, um contrato de cessão fiduciária de conta vinculada mantida no próprio BTG. O instrumento incluiu não apenas os valores depositados, mas também aplicações financeiras, rendimentos, juros e outras receitas associadas à conta.
No texto contratual, Daniel Vorcaro declarou ao BTG inexistirem processos, investigações ou pendências capazes de afetar os direitos cedidos ao credor. Também afirmou estar em situação plenamente solvente e apto a cumprir todas as obrigações financeiras nos respectivos vencimentos.
O acordo ainda destacou que a celebração do contrato não comprometeria a capacidade do devedor de satisfazer eventuais condenações decorrentes de demandas em que estivesse envolvido. Além de afastar qualquer procedimento de composição com credores naquele momento.
Cláusulas e eventos críticos no empréstimo entre Daniel Vorcaro e BTG
O contrato entre Daniel Vorcaro e BTG previu cláusulas amplas de vencimento antecipado. A dívida poderia ser exigida de forma imediata em caso de bloqueio ou sequestro de bens. Bem como diante de intervenção, falência, liquidação judicial ou extrajudicial ou Regime de Administração Especial Temporária (RAET) decretados pelo Banco Central.
De forma expressa, o documento incluiu o Banco Master como evento relevante. Qualquer medida administrativa, investigativa ou questionamento por terceiros, inclusive pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), poderia antecipar o vencimento da CCB.
Além disso, a curiosa sequência temporal reforçou a sensibilidade do acordo de empréstimo entre Daniel Vorcaro e BTG. Isso porque o cartório registrou o contrato logo na manhã de 17/11. Na mesma noite, vieram ao público a proposta da Fictor para o Master, a prisão de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal. E, em seguida, a decisão do Banco Central de liquidar a instituição.
Fecho regulatório do caso
O contrato firmado por Daniel Vorcaro e BTG Pactual se insere em um contexto regulatório que já vinha sob pressão desde o anúncio da aquisição de 58% do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A operação motivou a abertura de inquérito civil pelo Ministério Público do Distrito Federal e, posteriormente, um inquérito da Polícia Federal, após o Banco Central encaminhar informações ao Ministério Público Federal.
Com a liquidação extrajudicial do Master, o Banco Central acionou regras que tornaram indisponíveis os bens de controladores e ex-administradores, restringindo alienações até a apuração final de responsabilidades. A decisão também resultou no maior resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos, estimado em R$ 41 bilhões para cerca de 1,6 milhão de credores, ampliando o alcance sistêmico do caso.











