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Brics reduzem Treasuries e redesenham a geografia financeira global

Brics reduzem Treasuries após a volta de Trump, ajustando reservas internacionais e redesenhando o equilíbrio entre emergentes e aliados dos EUA no financiamento da dívida americana.
Brics reduzem Treasuries e ajustam reservas internacionais
Brics reduzem Treasuries enquanto Japão e Reino Unido ampliam exposição à dívida dos EUA. Imagem: Canva

Na terça-feira (15/01), dados oficiais mostraram que Brics reduzem Treasuries de forma coordenada desde a eleição de Donald Trump, em novembro de 2024, alterando a composição das reservas globais. Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, China, Índia e Brasil cortaram posições em títulos do Tesouro dos Estados Unidos em ritmo contínuo, segundo o Departamento do Tesouro americano.

No agregado, a retração ganhou força a partir do meio de 2025, quando a política comercial dos EUA voltou a pressionar parceiros estratégicos. Ainda que não exista ruptura abrupta, a leitura dos números indica ajuste deliberado de exposição ao dólar, aos títulos soberanos americanos e à dívida pública dos EUA, dentro de uma lógica de gestão de risco.

Brics reduzem Treasuries e a leitura dos números

A China diminuiu em 9,4% sua participação nos Treasuries no intervalo de um ano. Após alcançar US$ 784,3 bilhões em fevereiro, o estoque recuou para US$ 688,7 bilhões em outubro. Assim, o país caiu para a terceira posição entre os maiores credores externos dos EUA, atrás de Japão e Reino Unido.

A Índia seguiu trajetória semelhante. Embora tenha sustentado níveis elevados no primeiro trimestre, o país reduziu sua carteira para US$ 190,7 bilhões em outubro, acumulando queda de 21%. Já o Brasil promoveu o ajuste mais intenso, com corte de 26,7%, ao reduzir seus ativos de US$ 228,8 bilhões para US$ 167,7 bilhões, em um claro redesenho da política monetária de reservas.

Brics reduzem Treasuries enquanto aliados ampliam exposição

Enquanto os emergentes ajustavam posições, economias alinhadas a Washington seguiram na direção oposta. O Japão ampliou sua liderança, atingindo US$ 1,2 trilhão em Treasuries, reforçando o papel de âncora do financiamento externo dos EUA. O Reino Unido também elevou seu estoque para US$ 877,9 bilhões no mesmo período.

Esse contraste reforça que o corte promovido pelos Brics não reflete fuga generalizada do mercado americano. Trata-se, portanto, de uma realocação de reservas, influenciada por geopolítica, taxas de juros, liquidez internacional e pela busca de diversificação cambial, sem abandono do sistema financeiro internacional.

Ajuste estratégico nas reservas internacionais

Sob essa ótica, o recuo nos Treasuries funciona como instrumento de gestão de portfólio soberano. Ao reduzir a concentração em ativos americanos, os países ampliam margem para outros instrumentos financeiros, sem comprometer totalmente a exposição a ativos considerados seguros.

No horizonte, a tendência sugere maior fragmentação na alocação das reservas internacionais, com impacto direto sobre o custo de financiamento da dívida dos EUA e sobre o equilíbrio do sistema monetário global. O fato de que Brics reduzem Treasuries de forma gradual indica cautela estratégica, não confronto aberto, mas sinaliza que a arquitetura financeira global entrou em uma nova fase de ajuste silencioso.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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