A produção de veículos no Brasil alcançou 2,644 milhões de unidades em 2025, segundo dados divulgados nesta semana pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Embora o volume represente o maior nível desde 2019, o crescimento anual de 3,5% ficou distante da projeção inicial do setor.
Ainda assim, o resultado confirma a sequência de recuperação iniciada após a retração registrada em 2023. Em comparação com 2024, quando foram fabricados 2,553 milhões de veículos, a fabricação no país avançou, mas sustentada quase integralmente pelo segmento de automóveis e comerciais leves.
Produção de veículos no Brasil e os limites da retomada industrial
O desempenho de 2025 expôs diferenças relevantes dentro da indústria. Enquanto os veículos leves ampliaram participação, a produção de caminhões e ônibus recuou 9,9%, pressionando o resultado agregado. Esse desequilíbrio limitou um avanço mais forte da indústria automotiva brasileira ao longo do ano.
Segundo a Anfavea, o cenário econômico distinto daquele observado em 2024 afetou decisões de investimento e ritmo fabril. Questões como taxa de juros, crédito mais seletivo e custos industriais elevados ajudaram a explicar a distância entre expectativa e resultado efetivo.
Produção de veículos no Brasil contrasta com força das exportações
Se a produção avançou menos do que o planejado, o desempenho externo compensou parte das frustrações internas. As exportações de veículos somaram 528.827 unidades em 2025, alta de 32,1% frente ao ano anterior, no melhor resultado desde 2018.
A Argentina permaneceu como principal destino, seguida por México, Colômbia, Uruguai e Chile, reforçando a dependência regional do comércio automotivo brasileiro. Esse avanço contribuiu para uma balança comercial do setor positiva em 6,2%, mesmo com importações elevadas.
Crescimento da indústria automotiva nacional sob novos riscos
No sentido oposto, as importações de veículos atingiram 497.765 unidades, maior volume em 11 anos. A China reduziu a distância em relação à Argentina como principal origem, impulsionada pela chegada de novas marcas e pela estratégia de montagem CKD e SKD.
A Anfavea avalia que a ampliação desse modelo pode afetar a cadeia de suprimentos, reduzindo atividades como estamparia, soldagem e pintura no país. Além disso, as cotas de importação e o cronograma de alíquotas de importação seguem como pontos de atenção para 2026.
Para o próximo ano, a entidade projeta crescimento de 3,7% na produção automotiva nacional, com avanço moderado nos leves e estabilidade nos pesados. O setor entra em 2026 sob influência de reforma tributária, cenário geopolítico instável e expectativa de ajuste gradual do custo do capital, fatores que devem definir o ritmo da produção de veículos no Brasil.











