A produção de grãos no Brasil alcançou um recorde histórico de 346,1 milhões de toneladas em 2025, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (15/01) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume representa o maior patamar já registrado pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), cuja série histórica começou em 1975.
O dado consolida uma trajetória de expansão construída ao longo de mais de uma década. No qual o setor mais do que dobrou a produção de grãos no Brasil desde 2012.
Produção de grãos no Brasil cresce mais que a área plantada
A leitura histórica do IBGE mostra que o salto da produção não ocorreu na mesma proporção da expansão territorial, indicando ganhos consistentes de produtividade nas lavouras. Em treze anos, o avanço da colheita superou de forma clara o crescimento da área cultivada.
- A produção total passou de 162,0 milhões de toneladas em 2012 para 346,1 milhões em 2025
- O crescimento acumulado no período foi de 113%
- A área colhida avançou de 48,9 milhões para 81,6 milhões de hectares
- A expansão da área no mesmo intervalo ficou em 66,8%
Segundo o gerente de Agricultura do IBGE, Carlos Alfredo Guedes, esse desempenho está associado a anos de pesquisa agropecuária e ao uso de variedades adaptadas aos diferentes biomas brasileiros. Além disso, decisões dos produtores em favor de tecnologias avançadas elevaram o potencial produtivo das lavouras, mesmo sem aumento proporcional da área.
Produção de grãos no Brasil: culturas líderes e peso regional
O recorde de 2025 foi sustentado por resultados expressivos nas principais culturas e por uma forte concentração regional da produção. Soja e milho responderam pela maior parte do volume colhido, enquanto outras culturas também atingiram máximas históricas.
Em números, a produção de grãos no Brasil ficou dividida da seguinte forma:
- Soja: 166,1 milhões de toneladas
- Milho: 141,7 milhões de toneladas
- Algodão: 9,9 milhões de toneladas
- Sorgo: 5,4 milhões de toneladas
- Café canéfora: 1,3 milhão de toneladas
Do ponto de vista geográfico, o Centro-Oeste concentrou 51,6% da produção nacional, com 178,7 milhões de toneladas, reforçando sua posição como principal polo agrícola do país. O Sul respondeu por 24,9%, com 86,3 milhões de toneladas, enquanto Sudeste, Nordeste e Norte dividiram o restante do volume.
Produção agrícola brasileira entra em fase de ajuste em 2026
Após o recorde, o IBGE projeta uma produção de grãos em torno de 339,8 milhões de toneladas em 2026 no Brasil, o que representa uma queda de 1,8% em relação a 2025. De acordo com Guedes, a retração reflete uma base de comparação elevada, além da dependência da janela de plantio da segunda safra e das condições climáticas.
Além disso, o instituto também aponta que preços mais baixos comprimiram as margens de lucro, fator que desestimula a ampliação de área e novos investimentos. Ainda assim, a estimativa atual indica um ajuste menor do que o previsto anteriormente, quando o IBGE projetava uma redução de 3%, sugerindo acomodação após um ano excepcional.











