O acordo entre Taiwan e os EUA ganhou forma na sexta-feira (16), quando autoridades de Taipé detalharam os termos de um entendimento comercial que reduz tarifas e direciona capital para tecnologia nos Estados Unidos. A iniciativa combina comércio exterior, semicondutores, inteligência artificial e política industrial, em um momento de reorganização das cadeias globais.
Segundo o vice-primeiro-ministro Cheng Li-chiun, que liderou as negociações em Washington, Taiwan busca ampliar a integração tecnológica com os EUA por meio de investimentos bilaterais de alto valor agregado. O governo taiwanês afirma que busca fortalecer parcerias em chips avançados, infraestrutura digital e energia, alinhando esses projetos às demandas da economia americana.
Taiwan e EUA: acordo e a agenda industrial
No centro do acordo entre Taiwan e EUA está a redução de tarifas sobre diversas exportações taiwanesas, condicionada a novos aportes produtivos em território americano. O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, tem pressionado fabricantes asiáticos a expandirem fábricas locais, especialmente aquelas ligadas a processadores para IA, data centers e manufatura avançada.
O secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou que empresas de Taiwan devem investir cerca de US$ 250 bilhões nos Estados Unidos. Os recursos serão direcionados a projetos de semicondutores, energia e tecnologia de ponta. Desse total, US$ 100 bilhões já foram anunciados pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) em 2025. Segundo o governo americano, há previsão de novos aportes ao longo dos próximos anos.
Parceria tecnológica entre Washington e Taipé
Além dos investimentos diretos, o entendimento prevê um crédito adicional de até US$ 250 bilhões para facilitar a execução de projetos industriais. A Casa Branca avalia que o instrumento acelera decisões de longo prazo em cadeias produtivas estratégicas, reduzindo dependências externas em áreas sensíveis.
Cheng declarou que a ambição de Taiwan é tornar-se um parceiro próximo dos EUA no desenvolvimento de aplicações de IA generativa, hardware especializado e pesquisa tecnológica, visão compartilhada por integrantes do governo americano, segundo declarações oficiais.
Acordo no tabuleiro geopolítico
O avanço do acordo entre Taiwan e EUA ocorre em um ambiente diplomático sensível. A China considera Taiwan parte de seu território e se opõe a relações de alto nível entre Taipé e Washington. Autoridades taiwanesas rejeitam as reivindicações de soberania de Pequim e tratam o pacto como estritamente econômico.
Analistas de comércio internacional avaliam que a ampliação de investimentos em indústria de chips, segurança tecnológica e produção local tende a aprofundar a interdependência entre EUA e Taiwan. Esse processo reforça os laços econômicos e industriais entre os dois lados. Ao mesmo tempo, eleva o peso geopolítico da tecnologia nas disputas globais.











