Os créditos de carbono florestal encerraram a primeira chamada do ProFloresta+ com demanda acima do planejado, após o prazo terminar na última sexta-feira (09/01). O edital recebeu 16 propostas de restauração ecológica na Amazônia, número superior à expectativa inicial de contratação, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Lançado em novembro, o programa prevê a compra de créditos gerados pela recuperação de áreas degradadas com espécies nativas. Cada unidade equivale a uma tonelada de dióxido de carbono equivalente removida ou evitada, mecanismo usado por empresas em estratégias corporativas de redução de emissões.
Créditos de carbono florestal e a estrutura do edital
Nesta primeira etapa, o ProFloresta+ busca adquirir 5 milhões de créditos, organizados em cinco contratos de 1 milhão cada. A Petrobras atua como compradora, função que confere previsibilidade de demanda ao mercado de crédito florestal, ainda em consolidação no país.
Segundo o BNDES, as propostas seguem agora para avaliação técnica. Os critérios incluem qualidade ambiental, cumprimento de salvaguardas socioambientais e custos totais por volume de crédito ofertado. A Petrobras deverá selecionar os projetos com menor custo agregado para a quantidade contratada.
Além disso, os projetos habilitados poderão acessar linhas de financiamento do banco com condições diferenciadas, como recursos do Fundo Clima, voltados a iniciativas de restauração com espécies nativas. Esse desenho financeiro busca reduzir riscos e ampliar a atratividade econômica dos projetos.
Como a restauração florestal foi estruturada no ProFloresta+
A meta total do programa é restaurar até 50 mil hectares e gerar cerca de 15 milhões de créditos ao longo do tempo. De acordo com estimativas oficiais, esse volume corresponde às emissões anuais de aproximadamente 8,94 milhões de veículos movidos a gasolina, parâmetro usado para mensurar o impacto climático.
O BNDES estima que a iniciativa possa mobilizar mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos em reflorestamento na Amazônia. Esse potencial decorre da combinação entre contratos de longo prazo, financiamento direcionado e demanda corporativa por ativos ambientais de alta integridade.
Mercado de crédito florestal e próximos passos
O resultado final do edital, com a divulgação dos projetos vencedores, volumes contratados e valores pagos, deve ocorrer no primeiro semestre de 2026. Até lá, o processo funciona como teste de escala para o mercado voluntário de carbono, especialmente no segmento florestal.
Ao estruturar demanda, financiamento e critérios técnicos em um único arranjo, os créditos de carbono florestal passam a ocupar um papel mais concreto na agenda econômica da Amazônia. Nesse desenho, o BNDES atua como agente central de coordenação financeira, com impacto direto sobre restauração, fluxo de capital e formação de preços ambientais.











