O Índice Geral de Preço (IGP-10) de janeiro registrou alta de 0,29% no mês, conforme observado no indicador divulgado nesta sexta-feira (16/10) pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), marcando aceleração frente ao resultado de dezembro. O dado indica um início de ano com recomposição de preços em diferentes etapas da economia, ainda que o índice siga negativo no acumulado de 12 meses.
Apesar do avanço mensal, o indicador permanece com queda de 0,99% em 12 meses, o que expõe a diferença entre pressões recentes e o comportamento observado ao longo de 2025. A leitura de janeiro, portanto, reflete fatores específicos no atacado, no varejo e na construção, cada um com dinâmica própria.
IGP-10 de janeiro e a recomposição no atacado
A alta do índice geral teve como principal base o comportamento dos preços ao produtor. O avanço do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) interrompeu a queda registrada no mês anterior, com influência direta de commodities minerais e combustíveis.
- IPA (atacado): +0,24% em janeiro, após recuo de 0,03% em dezembro
- Matérias-primas brutas: +0,48%, revertendo queda anterior
- Minério de ferro: +4,94%, maior impacto positivo individual
- Etanol hidratado: +4,59%, associado à entressafra e a estoques menores
Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, a extração mineral liderou as pressões no atacado, enquanto combustíveis reforçaram o resultado do mês. Nesse sentido, a combinação desses fatores explica a retomada do índice nessa etapa da cadeia produtiva.
IGP-10 de janeiro reflete pressões no consumo e na construção
No varejo, o avanço do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) esteve ligado a elementos sazonais e à retomada de preços em itens sensíveis ao início do ano. Além disso, setores como educação e alimentação contribuíram para um ritmo mais intenso em relação a dezembro.
- IPC (consumo): +0,39%, ante 0,21% no mês anterior
- Alimentação: +0,50%, após deflação em dezembro
- Transportes: +0,40%, com destaque para passagem aérea
- Educação, leitura e recreação: +1,27%, impacto típico do calendário escolar
Já na construção, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acelerou de forma mais intensa, refletindo reajustes trabalhistas e custos industriais. Entre os principais dados apontados no IGP-10 de janeiro, temos:
- INCC: +0,47%, acima dos 0,22% de dezembro
- Mão de obra: +0,78%, principal vetor do índice
- Condutores elétricos: +5,19%, influenciados pelo preço do cobre
Leitura do índice de preços no início de 2026
A leitura divulgada do IGP-10 de janeiro indica que o início de 2026 ocorre sob pressão localizada, sem indicar, por ora, disseminação ampla de aumentos. Além disso, a distância entre o dado mensal e o acumulado em 12 meses reforça que o índice reage a choques específicos, sobretudo no atacado e na construção. O que, nesse contexto, deve manter os preços como ponto de atenção para os próximos meses.











