IGP-10 de janeiro avança 0,29% e abre 2026 com pressão sob preços e produção

O IGP-10 de janeiro subiu 0,29% e abriu 2026 com pressão no atacado, no consumo e na construção, segundo a Fundação Getulio Vargas, apesar da queda acumulada em 12 meses.
IGP-10 de janeiro mostra avanço dos preços no início de 2026
IGP-10 de janeiro registra alta de 0,29% com pressão em produtor, consumo e construção. (Foto: Reprodução)

O Índice Geral de Preço (IGP-10) de janeiro registrou alta de 0,29% no mês, conforme observado no indicador divulgado nesta sexta-feira (16/10) pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), marcando aceleração frente ao resultado de dezembro. O dado indica um início de ano com recomposição de preços em diferentes etapas da economia, ainda que o índice siga negativo no acumulado de 12 meses.

Apesar do avanço mensal, o indicador permanece com queda de 0,99% em 12 meses, o que expõe a diferença entre pressões recentes e o comportamento observado ao longo de 2025. A leitura de janeiro, portanto, reflete fatores específicos no atacado, no varejo e na construção, cada um com dinâmica própria.

IGP-10 de janeiro e a recomposição no atacado

A alta do índice geral teve como principal base o comportamento dos preços ao produtor. O avanço do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) interrompeu a queda registrada no mês anterior, com influência direta de commodities minerais e combustíveis.

  • IPA (atacado): +0,24% em janeiro, após recuo de 0,03% em dezembro
  • Matérias-primas brutas: +0,48%, revertendo queda anterior
  • Minério de ferro: +4,94%, maior impacto positivo individual
  • Etanol hidratado: +4,59%, associado à entressafra e a estoques menores

Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, a extração mineral liderou as pressões no atacado, enquanto combustíveis reforçaram o resultado do mês. Nesse sentido, a combinação desses fatores explica a retomada do índice nessa etapa da cadeia produtiva.

IGP-10 de janeiro reflete pressões no consumo e na construção

No varejo, o avanço do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) esteve ligado a elementos sazonais e à retomada de preços em itens sensíveis ao início do ano. Além disso, setores como educação e alimentação contribuíram para um ritmo mais intenso em relação a dezembro.

  • IPC (consumo): +0,39%, ante 0,21% no mês anterior
  • Alimentação: +0,50%, após deflação em dezembro
  • Transportes: +0,40%, com destaque para passagem aérea
  • Educação, leitura e recreação: +1,27%, impacto típico do calendário escolar

Já na construção, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acelerou de forma mais intensa, refletindo reajustes trabalhistas e custos industriais. Entre os principais dados apontados no IGP-10 de janeiro, temos:

  • INCC: +0,47%, acima dos 0,22% de dezembro
  • Mão de obra: +0,78%, principal vetor do índice
  • Condutores elétricos: +5,19%, influenciados pelo preço do cobre

Leitura do índice de preços no início de 2026

A leitura divulgada do IGP-10 de janeiro indica que o início de 2026 ocorre sob pressão localizada, sem indicar, por ora, disseminação ampla de aumentos. Além disso, a distância entre o dado mensal e o acumulado em 12 meses reforça que o índice reage a choques específicos, sobretudo no atacado e na construção. O que, nesse contexto, deve manter os preços como ponto de atenção para os próximos meses.

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Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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