A rede de farmácias Ultrafarma anunciou um plano de reorganização que prevê o fechamento de unidades na avenida Jabaquara, na zona sul de São Paulo. A decisão, comunicada nesta semana, inclui a transferência gradual das atividades para um único espaço de 3 mil metros quadrados na zona norte da capital, contexto em que a Ultrafarma fecha unidades passa a orientar a estratégia da rede na cidade.
Atualmente, a região da Jabaquara abriga três farmácias da rede, uma unidade da Ultrafarma Sports Nutrition e um centro de distribuição, segundo informações disponíveis no site da companhia. Procurada para confirmar os números e detalhar o cronograma de encerramento, a empresa não se manifestou até o momento.
A mudança ocorre cerca de seis meses após a abertura de uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). A apuração analisa um suposto esquema de corrupção envolvendo a rede e agentes tributários estaduais, o que eleva a atenção de bancos, fornecedores e parceiros.
Ultrafarma fecha unidades sob pressão financeira
Fontes do setor ouvidas pelo Valor Econômico avaliam que a centralização da operação está ligada à necessidade de redução de custos, preservação de caixa e simplificação da estrutura física. Segundo esses interlocutores, redes do varejo com dificuldades financeiras costumam adotar esse tipo de reorganização para aliviar despesas fixas e renegociar compromissos.
Um dos pontos sensíveis envolve a relação da Ultrafarma com créditos antecipados de ICMS, mecanismo que sustentava condições comerciais melhores e cuja perda pressiona caixa, margens e poder de barganha.
Nesse contexto, fornecedores tendem a exigir prazos de pagamento mais curtos, enquanto instituições financeiras podem reavaliar taxas, limites de crédito e garantias. O efeito combinado aumenta a pressão sobre a liquidez e impõe ajustes rápidos na estrutura operacional.
Concentração das atividades e novo modelo operacional
A Operação Ícaro, deflagrada em agosto de 2025, apura esquema envolvendo o fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira, executivos e auditores da Sefaz-SP. As investigações estimam que o esquema tenha gerado mais de R$ 1 bilhão em propinas, segundo denúncias formalizadas.
Em material divulgado à imprensa, a Ultrafarma afirma que a nova estratégia representa uma “virada de mentalidade” e uma mudança estrutural. O projeto teria sido desenvolvido sob sigilo e busca reposicionar a empresa, sem detalhar como ficará a situação contábil das operações encerradas.
Fechamento de lojas da Ultrafarma e nova estratégia
A nova unidade, com cerca de 3 mil metros quadrados, reunirá farmácia tradicional, ótica, farmácia de manipulação e estrutura de entrega expressa para a Grande São Paulo. Já as entregas para outras regiões do país seguirão concentradas no centro de distribuição de Santa Isabel (SP), que possui 15 mil metros quadrados.
Ao optar por essa configuração, a companhia sinaliza ao mercado que Ultrafarma fecha unidades para concentrar recursos, simplificar processos e ganhar previsibilidade operacional. O desfecho da estratégia dependerá da evolução das investigações, da reação de credores e da capacidade da rede de sustentar a operação sob maior escrutínio.











