O acordo Mercosul-UE passou a redesenhar o debate sobre preços de alimentos importados no Brasil, com a assinatura do tratado comercial entre os dois blocos. A promessa central é a eliminação gradual de tarifas sobre produtos europeus, embora o repasse ao consumidor dependa de prazos longos e de ajustes ao longo da cadeia.
Firmado após 26 anos de negociações, o pacto cria uma área de livre-comércio que reúne mais de 720 milhões de consumidores e economias que somam US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto. Ainda assim, a entrada em vigor depende da aprovação do Parlamento Europeu e dos Congressos nacionais do Mercosul.
Queda gradual das tarifas após o acordo
No desenho do tratado, itens como azeite, vinho, chocolate e outras bebidas terão suas tarifas reduzidas até zero ao longo dos próximos anos. Hoje, esses produtos pagam alíquotas que variam de 10% a 35%, o que ajuda a explicar os preços elevados no varejo brasileiro.
Além disso, o acordo Mercosul-UE prevê tratamento específico para derivados de leite. Queijos, leite em pó e fórmulas infantis entram no cronograma de liberalização com cotas limitadas, mecanismo que busca equilibrar a abertura comercial e a proteção da produção local.
Mesmo com a redução tarifária contratada, analistas de comércio exterior apontam que o efeito nos preços tende a ser diluído no tempo. Fatores como câmbio, logística, margens de distribuição e impostos internos continuam a pesar sobre o valor final pago pelo consumidor.
Alimentos europeus e limites de acesso ao mercado
Para produtos sensíveis, o acordo estabelece volumes máximos com tarifa zero. Queijos europeus terão cota anual de 30 mil toneladas, enquanto o leite em pó ficará restrito a 10 mil toneladas. Já as fórmulas para bebês poderão acessar até 5 mil toneladas sem imposto de importação.
Esse desenho indica que o impacto não será uniforme. No curto prazo, a maior concorrência deve se concentrar em nichos de mercado e em marcas já consolidadas no varejo premium. Ao mesmo tempo, a indústria alimentícia europeia ganha previsibilidade para ampliar presença no Brasil.
Do lado sul-americano, governos avaliam que o acesso ampliado ao mercado europeu favorece a agroindústria exportadora, sobretudo em cadeias como carnes, grãos e produtos processados, reforçando a lógica de troca entre alimentos e manufaturados.
Acordo Mercosul-UE e o ritmo do repasse aos preços
O acordo Mercosul-UE carrega um efeito mais estrutural do que imediato. A redução tarifária escalonada, combinada às cotas e às exigências regulatórias, sugere um processo gradual de ajuste no mercado interno brasileiro.
No horizonte, o tratado tende a ampliar a oferta, aumentar a concorrência e pressionar preços relativos. Ainda assim, o consumidor só perceberá mudanças consistentes à medida que o cronograma avance e que o ambiente macroeconômico permita a transmissão desses ganhos ao varejo.











