O plano de reestruturação dos Correios passou a exigir uma decisão financeira no curto prazo. A estatal articula a captação de até R$ 8 bilhões adicionais até julho, montante visto como necessário para sustentar o caixa após a utilização do crédito contratado no fim de 2025.
Os R$ 12 bilhões levantados no fim de 2025 em uma operação de crédito com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander oferecem um fôlego temporário ao caixa dos Correios. De acordo com pessoas a par das tratativas, os recursos sustentam as despesas apenas até o meio do ano, mesmo após a adoção de medidas internas de ajuste. Diante desse horizonte curto, a estatal passou a mapear alternativas para evitar novo estrangulamento financeiro.
Reestruturação dos Correios e o limite do endividamento
A atual reestruturação dos Correios foi planejada com base em um empréstimo de longo prazo. Do total contratado, R$ 10 bilhões ingressaram no caixa no fim de 2025, enquanto os R$ 2 bilhões restantes têm liberação prevista para janeiro.
O contrato prevê prazo de 15 anos, com três anos de carência, mas o custo futuro é elevado. Quando o pagamento começar, entre 2028 e 2029, o serviço da dívida deve superar R$ 1 bilhão por ano. Com isso, pressionando receitas operacionais de uma companhia ainda em reorganização financeira.
Técnicos ouvidos avaliam que uma nova rodada de crédito ampliaria esse peso estrutural. Embora viável do ponto de vista operacional, o aumento do endividamento pode reduzir a capacidade de investimento e limitar o plano de reestruturação dos Correios e a recuperação financeira no médio prazo.
Tesouro entra no radar como saída para evitar nova rodada de dívida
Diante dessas restrições, a reestruturação dos Correios passou a depender mais diretamente do Tesouro Nacional. Além disso, o contrato do empréstimo atual inclui uma cláusula que prevê aporte da União de R$ 6 bilhões até 2027. Compromisso confirmado oficialmente pelo Tesouro.
A discussão agora se concentra na possibilidade de antecipar parte desses recursos ainda em 2026. A leitura no governo é que o aporte direto reduz riscos fiscais futuros e evita uma nova negociação com bancos, que demonstram baixo apetite para repetir a operação nas condições exigidas para a concessão da garantia soberana.
Ajuste financeiro da estatal e caminhos estruturais
Além do crédito, o governo analisa medidas permanentes para reforçar a reestruturação financeira dos Correios. Entre elas está a discussão sobre compensação pelo serviço postal universal, obrigação constitucional que responde por parcela relevante dos custos da empresa.
Modelos internacionais estudados preveem a cobrança de taxas específicas para financiar essa universalização, criando uma fonte adicional de receita. Enquanto isso, a estatal avança com o Programa de Demissão Voluntária (PDV) e ajustes no plano de saúde, buscando reduzir despesas recorrentes.
No horizonte de 2026, a saga da reestruturação dos Correios se consolida como um teste para a política de estatais. A escolha entre mais dívida e aporte direto definirá não apenas o equilíbrio financeiro da empresa, mas também o formato de sustentação do serviço postal nos próximos anos.











