O turismo no Brasil deve movimentar R$ 218,77 bilhões na alta temporada entre novembro e fevereiro, segundo estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O volume representa o maior patamar desde o início da série histórica, em 2013, e reflete um crescimento de 3,7% frente ao mesmo período do ano anterior.
Esse desempenho ocorre em um contexto de fluxo recorde de visitantes. Em 2025, o país superou pela primeira vez a marca de 9,2 milhões de turistas, combinando maior circulação doméstica e avanço do turismo internacional. A leitura das entidades setoriais aponta que o planejamento antecipado das viagens e um ambiente de preços mais estáveis ajudaram a sustentar a demanda ao longo do período.
A força do consumo de serviços turísticos
A composição da receita revela um setor ancorado em atividades intensivas em consumo. Bares e restaurantes concentram R$ 97,3 bilhões do faturamento previsto, seguidos pelo transporte rodoviário, com R$ 34,1 bilhões. O transporte aéreo responde por R$ 28,8 bilhões, enquanto o alojamento soma R$ 22,4 bilhões.
Além disso, a dinâmica de preços contribuiu para ampliar o volume de receitas. Dados do IPCA mostram desaceleração nos serviços de transporte ao longo de 2025, com queda de 1,8% nas passagens de ônibus interestaduais e recuo de 14,4% nas tarifas aéreas. Esse cenário favoreceu decisões de viagem e ampliou a taxa de ocupação em diversos destinos.
Atividade turística e geração de renda no país
O avanço do setor também se reflete no mercado de trabalho. A CNC estima a criação de 87,6 mil vagas temporárias durante a alta temporada, o maior número desde 2014. O segmento de alimentação lidera a abertura de postos, com mais de 61 mil oportunidades, seguido por transportes e hospedagem.
O desempenho decorre de fatores como pleno emprego, renda disponível e clima favorável. Para ele, o fato de os consumidores terem se organizado com antecedência ajudou a sustentar o nível de atividade e a demanda por serviços presenciais.
Turismo no Brasil sob a ótica da mobilidade e do fluxo aéreo
Os dados de transporte reforçam essa leitura. Entre janeiro e setembro de 2025, o número de passageiros chegou a 96,2 milhões, acima do recorde anterior de 2015. Nos voos internacionais, o fluxo subiu para 21,8 milhões de pessoas, com gastos de US$ 6,04 bilhões, enquanto o mercado doméstico alcançou 74,5 milhões de passageiros.
Esse conjunto de indicadores sugere que o turismo no Brasil consolida sua posição como vetor relevante de atividade econômica, com efeitos diretos sobre emprego, renda e arrecadação. A continuidade desse ritmo dependerá da evolução do consumo interno e da manutenção de condições favoráveis de preços e mobilidade ao longo de 2026.











